Walter chegou a Portugal com a alcunha de Bigorna. O reforço do F.C. Porto surgiu no Internacional de Porto Alegre e foi rapidamente comparado a Claudiomiro, o homem que marcou o primeiro golo no Estádio Beira-Rio. Ao Benfica de Eusébio, em 1969.
Claudiomiro é o Bigorna original. Baixo e largo, como Walter (176 centímetros e 86 quilos). Representou a selecção do Brasil em cinco ocasiões, no início da década de 70. Nessa altura, acumulava títulos pelo Internacional. Mas já tinha deixado a sua marca. Aquele golo ao Benfica, na inauguração do estádio em Porto Alegre, a 6 de Abril de 1969, imortalizou o Bigorna.
«Walter remata forte com os dois pés»
«O Walter foi apelidado de Claudiomiro II, mas eu era mais rápido que ele. Temos algumas parecenças, porque ele é baixinho e gordinho. Eu era mais de partir para cima, jogava no centro, o Walter cai mais nas alas e remata de longe, forte, com os dois pés», explica Claudiomiro, no início da conversa com o Maisfutebol.
O F.C. Porto contratou um craque, garante o antigo avançado, rebobinando o filme para explicar como entrou na história do Internacional de Porto Alegre. «Convidámos o Benfica para a inauguração do Beira-Rio porque jogava de vermelho, como nós. Era uma equipa fabulosa. A base da selecção de 66. Tive a felicidade de marcar o primeiro golo desse estádio, mas a minha carreira foi mais que isso», lembra.
«Vencemos por 2-1, nesse dia. Eu marquei o primeiro, lembro-me que foi um cruzamento do Valdomiro, eu estava entre os centrais, um deles era o Humberto, e marquei», recorda o Bigorna original, desejando igual sorte para o seu sucessor: «Sei que o Benfica é rival aí do Porto. Acredito que o Walter vai marcar ao Benfica como eu, tem qualidade para isso e para muito mais!»
«Tem tendência natural para engordar»
Claudiomiro terminou, aos 29 anos, uma carreira atormentada por problemas físicos e descontrolo no peso. Mais um ponto, aliás, em comum com Walter. Antes, os elogios. «O Walter sabe usar o físico, usa bem o corpo e remata com muita força. Tem muito potencial para dar certo no F.C. Porto e depois sair para Espanha, Itália ou Inglaterra. Só precisa de ter a cabeça no sítio», considera o Bigorna.
«Ele tem de saber bem o que diz. Lembro-me que chegou aqui uma vez a dizer que nunca mais jogava no Internacional. Voltou e forçou a barra de novo. Nunca pode sair de um clube como este sem deixar a porta aberta. Tentei dar-lhe conselhos, nas viagens que fazíamos juntos, espero que ele melhore», desabafa o brasileiro, que trabalha agora no Departamento de Comunicação do Internacional.
No final da conversa, entre inúmeros elogios a um potencial imenso, mais um conselho para o reforço azul e branco. «Ele tem tendência natural para engordar, como eu tinha, mas no meu tempo não havia nutricionista. Vai ter de fazer um regime para ficar em condições. Lembro-me que, quando voltou de lesão, até veio com peso a menos, portou-se muito bem. Portanto é só uma questão de manter essa situação sob controlo», remata Claudiomiro, em entrevista ao Maisfutebol.
sábado, 31 de julho de 2010
sábado, 5 de junho de 2010
10 anos de Maisfutebol: momentos que preferia não ter vivido
Luís Mateus devolveu-me a emoção, sentimento repudiado no exercício do jornalismo. Em dia de aniversário, podemos ser protagonistas. Dar opinião, assumir a nossa identidade, desabafar, comemorar a edificação de um projecto sem paralelo no panorama nacional.
Os elogios ao Maisfutebol, a minha casa desde 2005, esperam. Antes, os momentos que preferia não ter vivido. Aqueles raros instantes em que repudiei a escolha de vida, a curiosidade e isenção exigidas ao jornalista.
Ainda ao serviço do extinto Comércio do Porto, estive no trágico V. Guimarães-Benfica de 2004. Na bancada de imprensa, enquanto Fehér caía do outro lado do relvado, anunciavam-se as primeiras lágrimas.
Segui para o hospital, contrariado, sem qualquer interesse em dar a notícia que nos esperava. Encostei-me a um canto, à porta das Urgências, procurando fugir ao anúncio indesejado.
Naquele momento, queria mentir, escrever que não, Fehér resistira. Chorei apenas ao chegar a casa, jornal fechado, dever cumprido.
A morte voltou a atormentar-me em 2009. Desta vez, sem aviso. A 10 de Novembro, o assessor de Hugo Almeida alerta-me para o falecimento de um guarda-redes alemão. A notícia era recente, cinco minutos apenas.
Carreguei no link enviado, rezando para não encontrar a foto do homem que entrevistara no ano anterior. Era mesmo ele: Robert Enke. O mesmo que sorrira, dialogara em português e falara sobre as saudades do Benfica, durante o Europeu de 2008.
Recuando no tempo, todas as imagens positivas da cobertura do Euro2008, a minha primeira experiência do género, os golos de Portugal, as paisagens inesquecíveis de Suíça e Áustria, os adeptos, tudo se desvanece quando recordo aquele curto diálogo com Enke.
«Robert Enke ist tot». Manchete do Bild, com fundo negro. Não queria acreditar. Durante um, dois minutos, guardei silêncio. Depois, dei mais uma notícia indesejada, evitando os contornos anunciados posteriormente. Recordei apenas aquele sorriso, um ano antes, já escondendo a agonia interior.
As notícias sem papel
As despedidas precoces de Féher e Enke marcam o meu percurso jornalístico. Muito mais que as agressões cobardes, em 2006, quando adeptos acreditaram que a ida de Jesualdo Ferreira para o F.C. Porto era pura invenção jornalística.
Tudo o mais é glorioso. Acompanhando o Maisfutebol por fora, imaginei uma equipa de meia centena de almas, inúmeros recursos para trilhar um caminho desconhecido na rede. Para mim, jornal era papel.
Agora, cinco anos após a entrada no projecto, agradeço a falta de amarras. Nesta casa, sustentada por dezena e meia de irrequietos criativos, não há espaços para preencher, recados de dirigentes em forma de notícia, projectos de transferências transformados em apresentações precoces.
Com o afastamento deliberado de clubes e dirigentes, perdem-se algumas notícias. Tudo bem. Descobrem-se histórias interessantes, vídeos de bradar aos céus, relatos incríveis de um futebol que não pára de nos surpreender.
Não foi fácil. O caminho foi longo, sinuoso, sempre no limite do risco. O Maisfutebol completa dez anos, apanhei este comboio há cinco. Quem iniciou a marcha, deve encher-se de orgulho por ter criado uma marca, um estilo, uma forma alegre de olhar para o desporto.
Eu aprendi a fazer o mesmo, a procurar a cor entre o cinzentismo, a criar em vez de copiar, a acreditar na beleza do futebol que teima em ser negligenciada.
No fundo, a acreditar em si, leitor, na sua capacidade para dizer BASTA às politiquices e devolver o jogo aos seus verdadeiros donos: os jogadores.
Os elogios ao Maisfutebol, a minha casa desde 2005, esperam. Antes, os momentos que preferia não ter vivido. Aqueles raros instantes em que repudiei a escolha de vida, a curiosidade e isenção exigidas ao jornalista.
Ainda ao serviço do extinto Comércio do Porto, estive no trágico V. Guimarães-Benfica de 2004. Na bancada de imprensa, enquanto Fehér caía do outro lado do relvado, anunciavam-se as primeiras lágrimas.
Segui para o hospital, contrariado, sem qualquer interesse em dar a notícia que nos esperava. Encostei-me a um canto, à porta das Urgências, procurando fugir ao anúncio indesejado.
Naquele momento, queria mentir, escrever que não, Fehér resistira. Chorei apenas ao chegar a casa, jornal fechado, dever cumprido.
A morte voltou a atormentar-me em 2009. Desta vez, sem aviso. A 10 de Novembro, o assessor de Hugo Almeida alerta-me para o falecimento de um guarda-redes alemão. A notícia era recente, cinco minutos apenas.
Carreguei no link enviado, rezando para não encontrar a foto do homem que entrevistara no ano anterior. Era mesmo ele: Robert Enke. O mesmo que sorrira, dialogara em português e falara sobre as saudades do Benfica, durante o Europeu de 2008.
Recuando no tempo, todas as imagens positivas da cobertura do Euro2008, a minha primeira experiência do género, os golos de Portugal, as paisagens inesquecíveis de Suíça e Áustria, os adeptos, tudo se desvanece quando recordo aquele curto diálogo com Enke.
«Robert Enke ist tot». Manchete do Bild, com fundo negro. Não queria acreditar. Durante um, dois minutos, guardei silêncio. Depois, dei mais uma notícia indesejada, evitando os contornos anunciados posteriormente. Recordei apenas aquele sorriso, um ano antes, já escondendo a agonia interior.
As notícias sem papel
As despedidas precoces de Féher e Enke marcam o meu percurso jornalístico. Muito mais que as agressões cobardes, em 2006, quando adeptos acreditaram que a ida de Jesualdo Ferreira para o F.C. Porto era pura invenção jornalística.
Tudo o mais é glorioso. Acompanhando o Maisfutebol por fora, imaginei uma equipa de meia centena de almas, inúmeros recursos para trilhar um caminho desconhecido na rede. Para mim, jornal era papel.
Agora, cinco anos após a entrada no projecto, agradeço a falta de amarras. Nesta casa, sustentada por dezena e meia de irrequietos criativos, não há espaços para preencher, recados de dirigentes em forma de notícia, projectos de transferências transformados em apresentações precoces.
Com o afastamento deliberado de clubes e dirigentes, perdem-se algumas notícias. Tudo bem. Descobrem-se histórias interessantes, vídeos de bradar aos céus, relatos incríveis de um futebol que não pára de nos surpreender.
Não foi fácil. O caminho foi longo, sinuoso, sempre no limite do risco. O Maisfutebol completa dez anos, apanhei este comboio há cinco. Quem iniciou a marcha, deve encher-se de orgulho por ter criado uma marca, um estilo, uma forma alegre de olhar para o desporto.
Eu aprendi a fazer o mesmo, a procurar a cor entre o cinzentismo, a criar em vez de copiar, a acreditar na beleza do futebol que teima em ser negligenciada.
No fundo, a acreditar em si, leitor, na sua capacidade para dizer BASTA às politiquices e devolver o jogo aos seus verdadeiros donos: os jogadores.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
10 anos, 1 golo: avançado-cabeleireiro torce pelo Shampoozinho
O Íbis Sport Club apresenta-se como o pior clube do Mundo. E Mauro Shampoo, cabeleireiro e avançado, foi o pior jogador do Íbis: 10 anos, 1 golo marcado. O filho, Shampoozinho pois então, quer apagar essa página negra da história. «Que marque golos por ele e pelo pai», pedem os adeptos.
«Olha, eu joguei dez anos no Íbis e fiz um golo. O meu filho vai fazer mil. Tem mais qualidade que eu, mesmo que o time seja ruim. Começou hoje no Íbis, vai ouvir falar muito do Shampoozinho», promete Mauro, uma celebridade do Recife, em conversa com o Maisfutebol.
Mauro Shampoo virou fenómeno. A imprensa canarinha conheceu o pior avançado do Mundo, gostou da personagem e deu-lhe visibilidade. Seguiram-se filmes, anúncios e até músicas em sua honra. «Sou cabeleireiro, jogador de futebol e homem». O cartão de visita afasta quaisquer suspeitas. «Eu cresci na favela e, quando disse que ia ser cabeleireiro, duvidaram logo de mim. Nada disso. Sou casado e com filhos», avisa.
«Sempre tive o sonho de jogar num clube grande. Mas fiquei pelo Íbis mesmo. Só marquei um golo. Foi no Arruda, o guarda-redes sacudiu para a frente e eu marquei. Não tinha ninguém no estádio, mas fiz a festa toda. Os amigos brincam, dizem que foi na própria baliza, eu garanto que não. Em dez anos, foi o meu único golo», garante.
Mauro é feliz. Joga nos veteranos do Íbis, tem o seu cabeleireiro e continua a gozar a fama de pior avançado do Mundo. O filho, carregando a cruz como Shampoozinho, espera melhorar a imagem do progenitor: «Olha, eu perdi, perdi, e perdi de novo. O único título que tenho é o título de eleitor. É uma vergonha de carreira. Mas sou feliz. Jogo no Masters do Íbis, mas continuo sem marcar golos. É muito díficil.»
«Eu vesti o 10, era a estrela do Íbis. Tem Pelé, Maradona, Cristiano Ronaldo, Messi, todos camisola 10 como eu. Fico feliz com isso. Passei dificuldade, dormi na rua e só queria jogar futebol. Fui parar ao Íbis, time ruim. Fiquei por aí. Agora vem aí o Shampoozinho, vai ver que ele terá mais sucesso», repete, em diálogo com o Maisfutebol. Esperemos para ver.
«Olha, eu joguei dez anos no Íbis e fiz um golo. O meu filho vai fazer mil. Tem mais qualidade que eu, mesmo que o time seja ruim. Começou hoje no Íbis, vai ouvir falar muito do Shampoozinho», promete Mauro, uma celebridade do Recife, em conversa com o Maisfutebol.
Mauro Shampoo virou fenómeno. A imprensa canarinha conheceu o pior avançado do Mundo, gostou da personagem e deu-lhe visibilidade. Seguiram-se filmes, anúncios e até músicas em sua honra. «Sou cabeleireiro, jogador de futebol e homem». O cartão de visita afasta quaisquer suspeitas. «Eu cresci na favela e, quando disse que ia ser cabeleireiro, duvidaram logo de mim. Nada disso. Sou casado e com filhos», avisa.
«Sempre tive o sonho de jogar num clube grande. Mas fiquei pelo Íbis mesmo. Só marquei um golo. Foi no Arruda, o guarda-redes sacudiu para a frente e eu marquei. Não tinha ninguém no estádio, mas fiz a festa toda. Os amigos brincam, dizem que foi na própria baliza, eu garanto que não. Em dez anos, foi o meu único golo», garante.
Mauro é feliz. Joga nos veteranos do Íbis, tem o seu cabeleireiro e continua a gozar a fama de pior avançado do Mundo. O filho, carregando a cruz como Shampoozinho, espera melhorar a imagem do progenitor: «Olha, eu perdi, perdi, e perdi de novo. O único título que tenho é o título de eleitor. É uma vergonha de carreira. Mas sou feliz. Jogo no Masters do Íbis, mas continuo sem marcar golos. É muito díficil.»
«Eu vesti o 10, era a estrela do Íbis. Tem Pelé, Maradona, Cristiano Ronaldo, Messi, todos camisola 10 como eu. Fico feliz com isso. Passei dificuldade, dormi na rua e só queria jogar futebol. Fui parar ao Íbis, time ruim. Fiquei por aí. Agora vem aí o Shampoozinho, vai ver que ele terá mais sucesso», repete, em diálogo com o Maisfutebol. Esperemos para ver.
Jornalismo pelas ruas da amargura
Primeiro, foi um adepto intitulado xeio_de_sono a garantir que os Super Dragões tinham comprado 3.500 bolas de golfe. Uma fonte de grande confiança, claro está, a valer primeira página em jornal de referência e natural histeria dos demais.
Depois, o morto que afinal não morreu. A Benfica TV, um meio não jornalístico, lembrou-se de lançar para o ar uma lamentável morte, consequência dos confrontos em Braga após a conquista do título. E o que fazem os jornais? Manchetes instantâneas, sem pegar num telefone. Afinal, a PSP diz que não morreu ninguém. E agora?
Não critico a Benfica TV. São amadores a fazer uma espécie de canal. Critico é quem vai atrás sem pensar, responsável por possíveis consequências graves. Pensem, porra!
Depois, o morto que afinal não morreu. A Benfica TV, um meio não jornalístico, lembrou-se de lançar para o ar uma lamentável morte, consequência dos confrontos em Braga após a conquista do título. E o que fazem os jornais? Manchetes instantâneas, sem pegar num telefone. Afinal, a PSP diz que não morreu ninguém. E agora?
Não critico a Benfica TV. São amadores a fazer uma espécie de canal. Critico é quem vai atrás sem pensar, responsável por possíveis consequências graves. Pensem, porra!
Danilo revê o menino Hulk: «Vou mandá-lo para o outro lado»
O F.C. Porto descobriu Hulk. O Vilanovense, anos antes, descobrira Pará. É por essa alcunha que Danilo recorda o compatriota que vai reencontrar no Jamor, agora com barba rija e autoridade para impor lei.
«Na altura, era um menino mas já vinha para cima de mim». E vai de novo. O lateral direito do D. Chaves acolheu o extremo do F.C. Porto em 2002. Em Vila Nova de Gaia, era juvenil contra sénior, duelo sem respeito nos treinos da equipa principal.
Agora, vale um troféu. Danilo nunca temeu tanto um duelo com Givanildo,igual a Pará, igual a Hulk. «Chamávamos-lhe Paraíba, ou Pará, quando ele apareceu no Vilanovense, porque era a região dele. Agora é Hulk, mas já então era grande. Vinha de família pobre e tentávamos ajudar. Não dava era para lhe emprestar as minhas chuteiras, ele tinha 15 anos mas o pé dele já era maior que o meu.»
Hulk, gozado aos 15 anos por dizer: «Um dia, vou jogar no F.C. Porto»
Danilo é trintão. Hulk vai nos 23. Em 2002, Danilo estava por cima. E no domingo? «Se ele me cair em cima, vou mandá-lo para o outro lado. Nos treinos, apanhava com ele, que jogava na esquerda, encarava e queria fintar todos, mesmo sendo menino. Se ficar no meu lado, vou tentar travar, e tem de vir mais um ou dois para ajudar. Já naquela época tinha qualidade, mas teve de voltar para o Brasil, não sei porquê», recorda o defesa da formação flaviense, ao Maisfutebol.
«Fico feliz por vê-lo bem. É um grande jogador, com qualidade para chegar à selecção brasileira. Só estive uma vez com ele, desde que voltou. Cruzámo-nos na Madeira, Porto e Chaves jogavam lá. Vimo-nos no aeroporto, abraçámo-nos, recordámos as histórias do Vilanovense. As voltas que o Mundo dá», desabafa, entre sorrisos.
Taça para reconquistar Chaves
Chaves está em choque. O Desportivo, orgulho flaviense, caiu de divisão. Nas ruas, protestos. Na alma, dor imensa. «Se pudéssemos, trocávamos a Taça por ficar na II Liga. Ando pela rua e as pessoas vêm ter comigo, tristes pela descida. Muitos já nem vão ao Jamor por isso. Queremos provar que não estamos aqui só pelo dinheiro.»
Danilo é brasileiro mas fala como flaviense. Foi a quinta época no clube, a décima em Portugal. Chega ao ponto mais alto sem disfarçar o embaraço. «Chegámos à final da Taça e pensámos que isso ia aliviar os problemas financeiros. Mas mesmo assim foi difícil arranjar patrocínios para ir à final. A despesa é grande.»
Chaves paga o preço da interioridade. O corpo ressente-se. «Vamos de autocarro, seis horas de viagem, na véspera do jogo. Ao menos isso, vamos um dia antes, dá para recuperar. Agora imagine as viagens para o Algarve, nove horas. Isso sim, é duro»
«Esta semana, jogadores e treinadores reuniram-se para falar da descida e da Taça. É a nossa oportunidade para provar que temos valor. Chegámos à final! É David contra Golias, espero que dê David. Vamos para ganhar, mas se perdemos, jogando bem de igual para igual, já deixaremos uma boa imagem», finaliza Danilo, com dose moderada de esperança.
«Na altura, era um menino mas já vinha para cima de mim». E vai de novo. O lateral direito do D. Chaves acolheu o extremo do F.C. Porto em 2002. Em Vila Nova de Gaia, era juvenil contra sénior, duelo sem respeito nos treinos da equipa principal.
Agora, vale um troféu. Danilo nunca temeu tanto um duelo com Givanildo,igual a Pará, igual a Hulk. «Chamávamos-lhe Paraíba, ou Pará, quando ele apareceu no Vilanovense, porque era a região dele. Agora é Hulk, mas já então era grande. Vinha de família pobre e tentávamos ajudar. Não dava era para lhe emprestar as minhas chuteiras, ele tinha 15 anos mas o pé dele já era maior que o meu.»
Hulk, gozado aos 15 anos por dizer: «Um dia, vou jogar no F.C. Porto»
Danilo é trintão. Hulk vai nos 23. Em 2002, Danilo estava por cima. E no domingo? «Se ele me cair em cima, vou mandá-lo para o outro lado. Nos treinos, apanhava com ele, que jogava na esquerda, encarava e queria fintar todos, mesmo sendo menino. Se ficar no meu lado, vou tentar travar, e tem de vir mais um ou dois para ajudar. Já naquela época tinha qualidade, mas teve de voltar para o Brasil, não sei porquê», recorda o defesa da formação flaviense, ao Maisfutebol.
«Fico feliz por vê-lo bem. É um grande jogador, com qualidade para chegar à selecção brasileira. Só estive uma vez com ele, desde que voltou. Cruzámo-nos na Madeira, Porto e Chaves jogavam lá. Vimo-nos no aeroporto, abraçámo-nos, recordámos as histórias do Vilanovense. As voltas que o Mundo dá», desabafa, entre sorrisos.
Taça para reconquistar Chaves
Chaves está em choque. O Desportivo, orgulho flaviense, caiu de divisão. Nas ruas, protestos. Na alma, dor imensa. «Se pudéssemos, trocávamos a Taça por ficar na II Liga. Ando pela rua e as pessoas vêm ter comigo, tristes pela descida. Muitos já nem vão ao Jamor por isso. Queremos provar que não estamos aqui só pelo dinheiro.»
Danilo é brasileiro mas fala como flaviense. Foi a quinta época no clube, a décima em Portugal. Chega ao ponto mais alto sem disfarçar o embaraço. «Chegámos à final da Taça e pensámos que isso ia aliviar os problemas financeiros. Mas mesmo assim foi difícil arranjar patrocínios para ir à final. A despesa é grande.»
Chaves paga o preço da interioridade. O corpo ressente-se. «Vamos de autocarro, seis horas de viagem, na véspera do jogo. Ao menos isso, vamos um dia antes, dá para recuperar. Agora imagine as viagens para o Algarve, nove horas. Isso sim, é duro»
«Esta semana, jogadores e treinadores reuniram-se para falar da descida e da Taça. É a nossa oportunidade para provar que temos valor. Chegámos à final! É David contra Golias, espero que dê David. Vamos para ganhar, mas se perdemos, jogando bem de igual para igual, já deixaremos uma boa imagem», finaliza Danilo, com dose moderada de esperança.
Jesualdo e Pavão: Chaves de partida, com Porto de chegada
Jesualdo Ferreira e Pavão são dois daqueles homens que têm reservada uma página em nome próprio na história do F.C. Porto. Jesualdo foi o primeiro treinador português três vezes campeão no clube, Pavão foi um dos mais brilhantes jogadores que vestiu a camisola azul e branca. Curiosidade: conheceram-se em Chaves.
Veja as fotos da época
Conheceram-se e evoluíram para uma grande amizade. Chegaram a partilhar um ano nos juniores do D. Chaves, imediatamente antes de Pavão se mudar para o F.C. Porto. «O Jesualdo falava-me tanto do Pavão que ainda me lembro do nome dele. Fernando Pascoal das Neves. É ou não é?», interroga a prima Marília Pires.
É, sim senhor. Jesualdo é um ano mais velho, mas calhou partilharem a cidade e um prazer inesgotável no desporto. Ora numa altura em que o F.C. Porto vai encontrar o Chaves no Jamor, o Maisfutebol recupera a história de uma amizade fora de campo - com rivalidade dentro dele -, que vai de um clube ao outro.
Os jogos a dinheiro na rua
Jesualdo estudava no Liceu, Pavão andava na Escola Industrial. Na década de 50, num Portugal cinzento, os jogos entre as duas escolas davam que falar. «Eram grandes duelos, com muita gente a ver», diz Silvano Roque, antigo colega de Jesualdo. «Eram jogos equilibrados e não perdíamos só por causa do Pavão».
Jesualdo e Chaves, uma história de amor
E Jesualdo, pergunta-se? «Tinha habilidade, mas não era dado ao contacto físico.» Ora um pouco como Pavão, aliás. «Ele era pequenino, mas muito tecnicista. Nessa altura até foi fazer um teste ao Benfica, mas disseram-lhe que precisava de comer sopa. Foi para o Porto, deram-lhe tripas e ele cresceu», conta João Neves.
João Neves era irmão de Pavão e lembra-se que a amizade deles cresceu nesses duelos. «Andavam sempre a jogar à bola. Iam para o descampado entre a Escola e o Liceu e jogavam a dinheiro. Faziam duas equipas, cada jogador entrava com 10 tostões e quem ganhasse ficava com o dinheiro. Para aí 10 escudos.»
Dois rapazes «engatatões»
A rivalidade não era só no futebol, de resto. Os dois partilhavam também a fama de... marialvas. «Aqueles jogos eram muito concorridos, juntavam-se as meninas todas para ver e o Jesualdo ficava todo vaidoso. Tinha a mania que era muito engatatão. Ainda por cima tinha vindo de África e era moreno», sorri Silvano Roque.
Um pouco como Pavão, aliás: a alcunha de Pavão veio de algum lado. «Um dia perguntei ao Jesualdo por que lhe chamavam Pavão, se o nome dele era Fernando das Neves. Ele disse que ele tinha um andar muito emproado, todo elegante e charmoso para cima das meninas. Parecia um pavão», conta Marília Pires.
E o futebol para sempre na vida deles
Ora a vida acabou por afastá-los. Pavão foi para o Porto, onde fez carreira nas Antas até uma morte trágica em pleno relvado. Jesualdo seguiu para Lisboa, onde cursou Educação Física e se fez treinador de futebol. Continuaram amigos, com regresso frequente a Chaves. E mantiveram o futebol na vida deles.
«O Pavão era doente por futebol. Por futebol, voleibol, andebol... Seguiu futebol porque naquela altura já permitia fazer vida», conta João Neves. «Os meus tios ficaram chateados por ele cursar Educação Física. Queriam que fosse médico ou advogado», diz Marília Pires. «.Mas ele não torceu. Era um vício.»
Um vício que veio da mãe. «Adorava futebol. Faleceu com cancro, na fase terminal ia a Lisboa fazer tratamentos e só se distraía com bola. O meu primo levava-a aos treinos ou aos jogos porque ela adorava aquilo. Quando era mais nova, levou o Jesualdo a ver um jogo do Eusébio. Foi aí que ele se apaixonou pelo futebol.»
Veja as fotos da época
Conheceram-se e evoluíram para uma grande amizade. Chegaram a partilhar um ano nos juniores do D. Chaves, imediatamente antes de Pavão se mudar para o F.C. Porto. «O Jesualdo falava-me tanto do Pavão que ainda me lembro do nome dele. Fernando Pascoal das Neves. É ou não é?», interroga a prima Marília Pires.
É, sim senhor. Jesualdo é um ano mais velho, mas calhou partilharem a cidade e um prazer inesgotável no desporto. Ora numa altura em que o F.C. Porto vai encontrar o Chaves no Jamor, o Maisfutebol recupera a história de uma amizade fora de campo - com rivalidade dentro dele -, que vai de um clube ao outro.
Os jogos a dinheiro na rua
Jesualdo estudava no Liceu, Pavão andava na Escola Industrial. Na década de 50, num Portugal cinzento, os jogos entre as duas escolas davam que falar. «Eram grandes duelos, com muita gente a ver», diz Silvano Roque, antigo colega de Jesualdo. «Eram jogos equilibrados e não perdíamos só por causa do Pavão».
Jesualdo e Chaves, uma história de amor
E Jesualdo, pergunta-se? «Tinha habilidade, mas não era dado ao contacto físico.» Ora um pouco como Pavão, aliás. «Ele era pequenino, mas muito tecnicista. Nessa altura até foi fazer um teste ao Benfica, mas disseram-lhe que precisava de comer sopa. Foi para o Porto, deram-lhe tripas e ele cresceu», conta João Neves.
João Neves era irmão de Pavão e lembra-se que a amizade deles cresceu nesses duelos. «Andavam sempre a jogar à bola. Iam para o descampado entre a Escola e o Liceu e jogavam a dinheiro. Faziam duas equipas, cada jogador entrava com 10 tostões e quem ganhasse ficava com o dinheiro. Para aí 10 escudos.»
Dois rapazes «engatatões»
A rivalidade não era só no futebol, de resto. Os dois partilhavam também a fama de... marialvas. «Aqueles jogos eram muito concorridos, juntavam-se as meninas todas para ver e o Jesualdo ficava todo vaidoso. Tinha a mania que era muito engatatão. Ainda por cima tinha vindo de África e era moreno», sorri Silvano Roque.
Um pouco como Pavão, aliás: a alcunha de Pavão veio de algum lado. «Um dia perguntei ao Jesualdo por que lhe chamavam Pavão, se o nome dele era Fernando das Neves. Ele disse que ele tinha um andar muito emproado, todo elegante e charmoso para cima das meninas. Parecia um pavão», conta Marília Pires.
E o futebol para sempre na vida deles
Ora a vida acabou por afastá-los. Pavão foi para o Porto, onde fez carreira nas Antas até uma morte trágica em pleno relvado. Jesualdo seguiu para Lisboa, onde cursou Educação Física e se fez treinador de futebol. Continuaram amigos, com regresso frequente a Chaves. E mantiveram o futebol na vida deles.
«O Pavão era doente por futebol. Por futebol, voleibol, andebol... Seguiu futebol porque naquela altura já permitia fazer vida», conta João Neves. «Os meus tios ficaram chateados por ele cursar Educação Física. Queriam que fosse médico ou advogado», diz Marília Pires. «.Mas ele não torceu. Era um vício.»
Um vício que veio da mãe. «Adorava futebol. Faleceu com cancro, na fase terminal ia a Lisboa fazer tratamentos e só se distraía com bola. O meu primo levava-a aos treinos ou aos jogos porque ela adorava aquilo. Quando era mais nova, levou o Jesualdo a ver um jogo do Eusébio. Foi aí que ele se apaixonou pelo futebol.»
Jesualdo e Chaves, uma história de amor com final marcada para o Jamor
Um dia, «há não muitos anos», Jesualdo Ferreira foi viver as festas à Mirandela natal. Como fazia regularmente, aliás. No dia seguinte acordou cedo e queria tomar café. Problema: os cafés tinham servido até tarde e fecharam de manhã. O técnico não se intimidou e disse que ia procurar um sítio aberto. Demorou horas.
Veja as fotos da época
Quando voltou, a pergunta obrigatória: onde foste?, questionou a prima Marília Pires. «Fui parar a Chaves», respondeu Jesualdo. Para os menos cientes de geografia, convém dizer que Chaves e Mirandela não ficam propriamente ao lado uma da outra: são 60 quilómetros de distância, por estradas antigas e muitas curvas.
«Ele tem um carinho enorme por Chaves. Gosta de Mirandela, claro, porque é a terra onde nasceu, mas tenho a certeza que gosta mais de Chaves. Foi lá que se fez homem. Viveu em Chaves dos 15 aos 20 anos, sempre sozinho, num quarto alugado, tornou-se independente, adulto e responsável», conta a prima.
A protecção da família do General Costa Gomes
A história já é de resto conhecida. Jesualdo regressou de Angola, foi viver com uns tios para Valpaços, que o enviaram para estudar em Chaves. «Foi lá que completou o antigo sétimo ano. Pelo meio ainda se mudou um ano para Aveiro, quando os pais regressaram de Angola, mas não se adaptou e voltou a Chaves», diz Marília.
O amor de Jesualdo por Chaves tornou-se evidente. O agora treinador do F.C. Porto vivia num quarto alugado na Casa do Seixas, na Rua do Sol, no centro da cidade, junto a outros estudantes. Ao fim-de-semana, quando conseguia boleia, voltava para junto da família: ora em Valpaços, ora em Mirandela.
Em Chaves vivia sob responsabilidade prestigiada: familiares do General Costa Gomes. «A minha tia era de boas famílias em Valpaços e conhecia muita gente.» Por isso entregou Jesualdo à família do general que viria ser o segundo Presidente da República pós-25 de Abril. Eram eles que zelavam pela educação.
O Desportivo e a paixão pelo futebol
Em Chaves, longe dos tios e da aversão que eles tinham pelo futebol, Jesualdo pôde desenvolver o maior prazer que tinha: a bola. O Sr. Albano conhece Jesualdo desde essa altura, ele que foi jogador e massagista do Desp. Chaves (está no clube há 52 anos), recordando «um jovem que era fanático por futebol.»
«Na altura era só mais um como muitos que vinha de Valpaços ou de Mirandela estudar aqui. Lembro-me que era bom rapaz e adorava futebol.» Por isso começou a jogar no Desp. Chaves. Foi lá que Albano o conheceu, quando Jesualdo representava os juniores. «Tinha algum jeito. Eu gostava de o ver jogar.»
Jesualdo sempre admitiu, porém, que não era um prodígio. Mas era apaixonado. «Ele ia para o Desportivo, terminava os treinos e ia ter com os amigos do liceu para jogar num descampado ao lado do Forte de S. Francisco. Muitas vezes tinham de fugir à polícia, eram outros tempos e não podia jogar-se em qualquer lado.»
O Nelo e os amigos para a vida
Em Chaves Jesualdo fez amigos para toda a vida. Amigos que o tratam como tratavam na altura: por Manel ou por Nelo. Na cidade transmontana quem o conheceu fala de um homem bom, a quem a fama não subiu à cabeça. «Mesmo depois de ir para Lisboa, vinha para cima nas férias e passava sempre por Chaves.»
Albano mantém o contacto com Jesualdo há quase 50 anos. «Mesmo anos mais tarde, quando trabalhava na Federação e no Benfica, eu ia a Lisboa com as selecções distritais sub-14 e ele fazia questão de ir ter comigo a Sintra.. Levava-me camisolas, jantavamos e metíamos a conversa em dia.»
«Chaves é especial para ele. Foi lá que se fez uma pessoa fantástica, trabalhadora e prezada em tudo. Quando voltou andava sempre tão arranjadinho que até parecia saído de uma caixa», conta a prima. Por isso domingo é especial. Jesualdo já defrontou o Chaves pelo Benfica e pelo Porto. Mas nunca no Jamor.
Veja as fotos da época
Quando voltou, a pergunta obrigatória: onde foste?, questionou a prima Marília Pires. «Fui parar a Chaves», respondeu Jesualdo. Para os menos cientes de geografia, convém dizer que Chaves e Mirandela não ficam propriamente ao lado uma da outra: são 60 quilómetros de distância, por estradas antigas e muitas curvas.
«Ele tem um carinho enorme por Chaves. Gosta de Mirandela, claro, porque é a terra onde nasceu, mas tenho a certeza que gosta mais de Chaves. Foi lá que se fez homem. Viveu em Chaves dos 15 aos 20 anos, sempre sozinho, num quarto alugado, tornou-se independente, adulto e responsável», conta a prima.
A protecção da família do General Costa Gomes
A história já é de resto conhecida. Jesualdo regressou de Angola, foi viver com uns tios para Valpaços, que o enviaram para estudar em Chaves. «Foi lá que completou o antigo sétimo ano. Pelo meio ainda se mudou um ano para Aveiro, quando os pais regressaram de Angola, mas não se adaptou e voltou a Chaves», diz Marília.
O amor de Jesualdo por Chaves tornou-se evidente. O agora treinador do F.C. Porto vivia num quarto alugado na Casa do Seixas, na Rua do Sol, no centro da cidade, junto a outros estudantes. Ao fim-de-semana, quando conseguia boleia, voltava para junto da família: ora em Valpaços, ora em Mirandela.
Em Chaves vivia sob responsabilidade prestigiada: familiares do General Costa Gomes. «A minha tia era de boas famílias em Valpaços e conhecia muita gente.» Por isso entregou Jesualdo à família do general que viria ser o segundo Presidente da República pós-25 de Abril. Eram eles que zelavam pela educação.
O Desportivo e a paixão pelo futebol
Em Chaves, longe dos tios e da aversão que eles tinham pelo futebol, Jesualdo pôde desenvolver o maior prazer que tinha: a bola. O Sr. Albano conhece Jesualdo desde essa altura, ele que foi jogador e massagista do Desp. Chaves (está no clube há 52 anos), recordando «um jovem que era fanático por futebol.»
«Na altura era só mais um como muitos que vinha de Valpaços ou de Mirandela estudar aqui. Lembro-me que era bom rapaz e adorava futebol.» Por isso começou a jogar no Desp. Chaves. Foi lá que Albano o conheceu, quando Jesualdo representava os juniores. «Tinha algum jeito. Eu gostava de o ver jogar.»
Jesualdo sempre admitiu, porém, que não era um prodígio. Mas era apaixonado. «Ele ia para o Desportivo, terminava os treinos e ia ter com os amigos do liceu para jogar num descampado ao lado do Forte de S. Francisco. Muitas vezes tinham de fugir à polícia, eram outros tempos e não podia jogar-se em qualquer lado.»
O Nelo e os amigos para a vida
Em Chaves Jesualdo fez amigos para toda a vida. Amigos que o tratam como tratavam na altura: por Manel ou por Nelo. Na cidade transmontana quem o conheceu fala de um homem bom, a quem a fama não subiu à cabeça. «Mesmo depois de ir para Lisboa, vinha para cima nas férias e passava sempre por Chaves.»
Albano mantém o contacto com Jesualdo há quase 50 anos. «Mesmo anos mais tarde, quando trabalhava na Federação e no Benfica, eu ia a Lisboa com as selecções distritais sub-14 e ele fazia questão de ir ter comigo a Sintra.. Levava-me camisolas, jantavamos e metíamos a conversa em dia.»
«Chaves é especial para ele. Foi lá que se fez uma pessoa fantástica, trabalhadora e prezada em tudo. Quando voltou andava sempre tão arranjadinho que até parecia saído de uma caixa», conta a prima. Por isso domingo é especial. Jesualdo já defrontou o Chaves pelo Benfica e pelo Porto. Mas nunca no Jamor.
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