quarta-feira, 31 de março de 2010

Português jogou na Moldávia e Malta: «Ia até ao Sri Lanka!»

Desarmante. O relato de Nimês Pina assemelha-se à crónica de um emigrante português a fugir da uma realidade terceiro-mundista, na década de 60. Formou-se no Estoril, passou para a III divisão e fez as malas. Passou por Moldávia, Roménia e Chipre. Agora, joga no ataque do campeão de Malta, o Hibernians.

«Se fosse o Cristiano Ronaldo, tinha de ter cuidado com o que dizia nas entrevistas. Mas não sou, posso dizer o que quiser. E contei-lhe tudo, mesmo que isso me prejudique», desaba o ponta-de-lança luso, de 27 anos, no final da entrevista ao Maisfutebol. Antes, revelara toda a sua humildade: «Ia até ao Sri Lanka, se me pagassem bem. Agora, jogar em Portugal para não receber, não vale a pena.»

Sabe onde é Malta, já agora? Antes de mais, é aquele país que nos dava uns pontos no Festival da Canção e sucumbia a goleadas nas fases de qualificação. Geograficamente, é uma ilha entre a Sicília e o Norte de África. Melhor que a Moldávia, onde Nimês Pina jogou duas épocas. «Bem, pelo menos aqui são mais civilizados, mais tranquilos. É um país turístico. Disso não me queixo», desabafa.

«Sou um ponta de lança rápido e agressivo, que sobe bem. Mais não digo, que não quero enganar ninguém», dizia-nos o português, em 2008. Por aqui se percebe a simplicidade do entrevistado. Quer apenas juntar um pé-de-meia, nas mais estranhas latitudes. No seu país, nunca teve a oportunidade.

«Isto aqui é Malta»

Nimês Pina chegou a Malta em Janeiro, após conversa com o amigo Mawete Júnior. «Fiz dois treinos à experiência. Ao terceiro dia, estava a jogar, com um contrato provisório. Sou um dos três estrangeiros, dos poucos profissionais. Mas isso traz problemas. Se algo corre mal, a culpa é dos estrangeiros», lamenta.

O avançado português não está completamente feliz. Nota-se na voz. Na Moldávia, conviveu com racismo. Agora, a situação melhorou, mas não totalmente. Fez um golo, foi expulso, marcou outro golo.

A expulsão? «Foi por agressão. Tive um defesa que me marcou de forma muito dura, durante todo o jogo. Dava-me e dizia: não estás no teu país, isto aqui é Malta. Ainda hoje tenho uma cicatriz. Nos últimos minutos de jogo, fartei-me, saltei de braços abertos e acertei-lhe. É pena, tinha marcado na única vitória do Hibernian no play-off», relata.

«Falham treinos e jogos»

O cenário é desolador. Entre os profissionais, misturam-se jogadores malteses que repetem comportamentos típicos dos distritais lusos. «Faltam aos treinos e ainda no último jogo, houve um que ficou chateado com o treinador e não apareceu. É incrível. Mas também tenho colegas que jogam na selecção e falam-me de Portugal. Dizem: olha, certa vez só perdemos por 1-0!»

Nimês Pina assinou até final da época, com outra de opção. Marcou dois golos em nove jogos, mas o Hibernians ocupa o último lugar no play-off final. «O campeonato tem duas fases. Quero jogar bem até final da época e depois logo se vê. Gostava de jogar em Portugal, mesmo numa II Liga, desde que pagassem. Preciso de juntar algum dinheiro para o futuro. Por isso, vou andando cá por fora», remata. Qual será o próximo destino?

Benfica-Liverpool: Torres volta à casa de partida

A ascensão meteórica de Fernando Torres está indiscutivelmente ligada a Portugal. Não ao Estádio da Luz, onde joga quinta-feira com a camisola do Liverpool. Mais para Sul. Em 2001 o avançado espanhol foi o melhor jogador e o melhor marcador do Torneio do Algarve, em Sub-16. A partir daí nada foi igual.

É o próprio Torres que, no seu site oficial, recorda a importância da competição portuguesa. No Algarve recuperou o tempo perdido. A (então) promessa do At. Madrid tinha sido operada ao joelho esquerdo alguns meses antes, e queria conquistar uma vaga no Europeu de sub-16. Em Fevereiro agarrou o lugar, com uma grande prestação no Torneio do Algarve. «Já tinha as características que apresenta actualmente», recorda Silveira Ramos, que na altura era o seleccionador português de sub-16.

«El Niño» foi campeão europeu em Maio, na Inglaterra. Mais uma vez foi o melhor jogador e o melhor marcador. Nessa altura recebeu uma chamada de Paulo Futre (lá está a ligação a Portugal), que lhe comunicou que ia começar a trabalhar com a equipa principal do At. Madrid. A estreia aconteceu ainda nesse mês de Maio, frente ao Logroñes.

A presença no Torneio do Algarve foi, por isso, o palco da «explosão» de Fernando Torres. «Já era um jogador muito participativo. Não era especialmente forte a driblar, mas evidenciava-se pela participação no jogo», lembra Silveira Ramos.

O ex-técnico da Federação Portuguesa de Futebol recorda um rapaz loiro que encarava o jogo com grande seriedade: «Não sorria muito em campo. Já era muito adulto a jogar. Já marcava a diferença, pois pensava o jogo durante noventa minutos. Nunca se alheava. A consistência dele era anormal, para a idade.»

À boleia de «El Niño», até à Vila das Aves

Fernando Torres dominou por completo a 24ª edição do Torneio do Algarve. Foi o melhor jogador e o melhor marcador da prova. A Espanha arrecadou o troféu, igualmente. A caminhada vitoriosa arranca com um triunfo sobre a Inglaterra (2-1), uma goleada à Finlândia (4-0) e um empate com Portugal (1-1).

Nesse duelo ibérico, disputado em Portimão (27 de Fevereiro) esteve Hugo Ferreira. O guarda-redes do Desp. Aves era então titular dos sub-16 lusos. Assim que o Maisfutebol lhe fala em Fernando Torres, solta uma resposta: «Sim sim. Marcou-me um golo no Algarve. Foi um cruzamento da esquerda e ele concluiu na área.»

A memória parece não atraiçoar. É sinal de que o nome do avançado espanhol ficou gravado. «Era tecnicamente muito evoluído, para a idade. Já se notava que era um jogador acima da média.»

O contacto do Maisfutebol desperta saudosismo em Hugo Ferreira. Em 2001 também ele era uma promessa do Boavista, titular da baliza dos sub-16 portugueses. Nove anos depois é suplente do Desp. Aves. «Não me deram oportunidades no Bessa. Esse foi o problema. Infelizmente é isso que acontece com muitos jovens», reclama. «Podia ter tido mais sorte, e ter chegado a outro patamar», acrescenta.

Hugo Ferreira lamenta a falta de oportunidades, mas não esquece os erros cometidos na primeira pessoa. «Logo após o torneio do Algarve tivemos dois jogos decisivos no apuramento para o Europeu de sub-16. Goleámos a Macedónia em Aveiro (4-0), e depois jogámos com a Bélgica em Santa Maria de Lamas. Bastava o empate para a qualificação, mas perdemos (0-1). Perdi a cabeça. Fui expulso, ao cometer uma grande penalidade. Saltei a uma bola, daquelas em que os guarda-redes se protegem com o joelho. O árbitro entendeu que fui com a perna levantada. Depois ainda fiquei a discutir. Atirei areia aos suplentes belgas», recorda.

«Os erros pagam-se caros. A federação castigou-me. Ainda estive para ir ao Europeu de sub-19, algum tempo depois, mas lesionei-me a poucos dias da prova.»

sábado, 27 de março de 2010

Amador explica: como ganhar fama e chegar a um clube de topo

Greg Akcelrod é um bom malandro. No fundo, balança naquela linha ténue entre as omissões e as mentiras. Ele jogou no Paris Saint-Germain, mas nos amadores. Esteve no Tigres da Argentina, mas apenas para treinar. Junta-se o currículo a alguns toques na bola e temos um amador transformado em craque.

Na semana passada, contámos a história do francês que quase enganou o CSKA de Sófia. As credenciais, alheadas ao contacto de um empresário, convenceram o clube búlgaro a oferecer um período de testes. Até que um adepto desconfiou e tentou saber quantos jogos Akcelord fez no Parque dos Príncipes. Nenhum, pois então.

«Eu não enganei ninguém. Tenho o meu site pessoal, onde refiro que passei pelo Paris Saint-Germain, mas não está lá escrito que foi na primeira equipa. Cheguei ao CSKA para treinar e a verdade é que eles gostaram de mim. O Penev, que jogou em Espanha, era o treinador e deu o seu aval. Por isso é que já queriam assinar contrato. Só que depois a imprensa veio dizer que eu era um impostor», desabafa Greg, em conversa com o Maisfutebol.

Greg Akcelrod nasceu em Paris, há 27 anos. Sempre teve o sonho de jogar ao mais alto nível. Faltaram-lhe as oportunidades. Como tal, o avançado francês decidiu criá-las. «Nunca joguei nas camadas jovens. Em 2006, estive na segunda divisão de Gales, no Cwmbran Town. Quando voltei a França, pedi para treinar na terceira equipa do PSG. Acabei por assinar, mas para jogar na sexta divisão. Ainda assim, sempre acreditei que chegaria ao topo», atira.

O leitor interroga-se. Afinal, este amador merece sequer ser notícia? Akcelrod conquista-nos pela sua ambição, pela criatividade para atingir um fim que ocupa o imaginário de vários jovens futebolistas. Do futebol de rua, para a Liga dos Campeões.

«Certo dia, conheci um empresário que me levou a treinar no Tigres, da Argentina. Até joguei num particular contra o Redondo», garante. Terá jogado mesmo? «Bem, eu fui para treinar, para me ambientar e assinar contrato para a época seguinte. Mas depois acabei por vir embora.»

«Currículo não interessa»

Com algum talento nos pés e outro tanto nas palavras, Greg Akcelrod chegou ao CSKA de Sófia, clube com maior historial da Bulgária e crónico candidato às competições europeias. Após dois dias de treinos, pediram-lhe para tirar uma fotografia e ser anunciado no site oficial do clube. Anunciado como um ex-craque do Paris Saint-Germain, claro está: «Os jornais do dia seguinte disseram que o CSKA estava a cometer um erro incrível, que eu era uma farsa e acabei por vir embora. Mas eles tinham gostado de mim. É uma questão de talento, ou se tem ou não. O currículo não interessa.»

Nos últimos meses, graças a um erro que atingiu proporções mundiais, o avançado francês multiplicou-se em entrevistas. Não joga, não treina em nenhum clube, mas continua a alimentar o sonho: chegar a um emblema de topo. Para ganhar a vida, enquanto não abre a porta certa, trabalha como figurante. E deixa a promessa. «Em breve, estarei a jogar na Liga de Espanha». Quer apostar?

sexta-feira, 19 de março de 2010

Jesus: fez-se treinador no Algarve com «golpe de capoeira»

A história do treinador Jorge Jesus começa no Algarve, em 1990. Duas décadas depois, ele volta à região para disputar o primeiro grande título da carreira. A final da Taça da Liga, entre Benfica e F.C. Porto, será disputada a dois passos de Almancil, última etapa de Jesus/jogador.

Mário Wilson Filho, óbvio descendente do Velho Capitão, relata a história com amargura. Torce pelo Benfica e pelo sucesso do seu treinador, mas não foge ao que diz ser a verdade dos factos: «Houve um golpe de capoeira, mesmo.»

«Sou benfiquista e acho que o Jesus é o melhor técnico português, a seguir ao José Mourinho. Mas é verdade e não há volta a dar. Ele era o jogador fundamental do Almancilense, fazia o meu papel de treinador dentro do campo, e desapareceu para ir treinar o Amora, rival na subida de divisão. Ele subiu, nós não, ficámos na III Divisão. Foi assim», desabafa, ao Maisfutebol.

«Nunca mais falámos»

Jorge Jesus era um jogador talentoso. Sobretudo na vertente táctica. Passou por Olhanense e Farense, terminando a carreira no modesto Almancilense. Motivos naturais para recuperar essa história. Polémica, segundo o antigo companheiro de Jesus.

Mário Wilson Filho foi colega de equipa do Farense e reencontrou Jesus em Almancil. «Chegámos a partilhar casa em Faro. Mais tarde, quando soube que se tinha gorado a possibilidade de ele ir para o estrangeiro, falei ao nosso presidente e o Jesus veio para o Almancilense. Era o meu primeiro ano de treinador e o último dele como jogador. Ou veio a ser, como mais tarde percebeu-se», relata.

«Estávamos em primeiro lugar e o Jesus era capitão de equipa, uma voz de comando num plantel formado por jovens. Certo dia, comunicou ao presidente que ia treinar o Amora, nosso adversário na subida. Nem falou comigo. Isso foi há 20 anos e nunca mais falámos. Fomos jogar ao Amora, perdemos 1-0 e não o cumprimentei. Como disse na altura, foi um golpe de capoeira. O resto guardo para mim. É um excelente treinador, quero o melhor para o meu Benfica e pronto», remata o antigo jogador do Benfica.

Terceiro português a pensar no título

Jorge Jesus recorda o episódio. Diz que foi abordado por dirigentes do Amora, quando nem pensava em ser treinador. «Acho que essa subida foi fundamental para alicerçar a carreira do Jesus», brinca Mário Wilson Filho. Até hoje.

Curiosamente, Jesus ambiciona repetir um feito de Mário Wilson, o pai. Pode ser o terceiro treinador português a vencer o título nacional no Benfica, depois do Velho Capitão e de Toni: «O meu pai foi o primeiro e, através dele, conheci de perto muitos treinadores. Por isso digo com sinceridade: excluindo o Mourinho, Jesus é o melhor técnico português que por aí ainda.»

A conversa termina com um ponto de situação do pai, abalado com o falecimento da esposa em Janeiro de 2010, e recordações de uma carreira mal gerida do Filho. «Estive no Benfica, com Mortimore e o meu pai, mas só aproveitava o que Deus me deu. Tecnicamente, era dos melhores. Infelizmente, levei sempre o futebol como uma brincadeira. Fui treinador, mas depois daquele episódio no Almancilense não mais fui feliz. Agora, temos a Escola de Futebol Mr. Wilson, da família. E torço pelo Benfica», conclui, em tom saudosista.

Toni: «Sou benfiquista mas vou torcer pelo Liverpool»

Toni Brito Silva e Sá saiu do Benfica para jogar no Liverpool. O Maisfutebol contou-lhe parte da história do jovem médio, actualmente com 16 anos, no dia em que o sorteio da Liga Europa ditou um duelo encarnado.

Conheça a promessa que trocou o Benfica pelo Liverpool

Ao final da tarde, foi a vez do jogador falar com o nosso jornal, apresentando-se aos portugueses numa entrevista similar a uma história de vida. Toni está no Liverpool, Mesca e Baky no Chelsea. Todos nascidos na Guiné-Bissau, criados em Portugal e internacionais pela nossa selecção. Agora, crescem no futebol inglês.

Antes de mais, como chegou até ao Liverpool?
«Fiz a pré-época com o Fulham, entretanto fizemos um jogo-treino frente ao Liverpool, eles gostaram de mim e, passados dois dias, estava a treinar no Liverpool. Assinei contrato profissional e aqui estou.»

Mas também foi cobiçado pelo Chelsea?
«Sim, estive vários meses no Chelsea, na época passada, mas estava inscrito pelo Benfica e o Benfica pedia muito dinheiro pelo meu passe, acho que 300 mil euros. Então voltei para Portugal, deixámos o tempo passar e assim, como terminou a época, ficou mais fácil. Vim para o Fulham para servir de ponte para o Chelsea, mas entretanto surgiu o Liverpool.»

Voltando atrás, em que clubes jogou em Portugal?
«Vim da Guiné com a minha mãe, para a Damaia. Quando cheguei, nem falava português. Corria na rua, corria muito, até que encontrei uns miúdos a treinar, no Damaiense. Voltei a casa e pedi para me levarem lá. O treinador foi excelente, porque entendeu que eu não falava português e sempre me deu todo o apoio.»

Entretanto saiu para o Real Massamá?
«Sim. Antes houve o interesse do Sporting e cheguei a estar três dias na Academia, em Alcochete, só que o Damaiense pedia muito dinheiro por mim. Fiquei e só saí no final da época. Estive três meses no Real Massamá e de lá fui para o Benfica.»

Como foi esse tempo no Benfica?
«Gostei muito de lá estar, sempre fui benfiquista, mas foi complicado. No início do segundo ano, queriam que assinasse o contrato de formação e, como eu não o fazia, proibiram-me de jogar. Em Dezembro, recebi o BI português e fui chamado à selecção, mas o Benfica não me deixou. Então, cheguei a pegar nas minhas coisas e ir para casa.»

Mas chegou à selecção mais tarde. Porquê Portugal?
«Nasci na Guiné, a minha mãe é de lá, mas o meu pai é português. Portanto podia escolher. E para mim é melhor estar na Europa, jogar por Portugal. Sinto-me português.»

Agora sente-se feliz?
«Muito mesmo. Assinei contrato profissional com o Liverpool e treino com os sub-16 ou os sub-18. O mister é espanhol portanto ajudou-me muito, na linguagem. Em Portugal, eu jogava como médio ofensivo em 4x3x3. Eles aqui jogam todos em 4x4x2. Então comecei por ser extremo esquerdo, mas entretanto experimentaram-me como segundo avançado, marquei dois golos e convenci.»

Está num centro de estágio do Liverpool?
«Não, aqui em Inglaterra é diferente, não há centros para os jovens ficarem. Os clubes preferem meter os jovens em casas de famílias. É o que está a acontecer comigo. Depois, o centro de treinos dos jovens é muito longe do centro dos seniores, mas já fui ao estádio do Liverpool e adorei. Passei o jogo a filmar os adeptos, não o jogo. Isto é um sonho.»

E por quem vai torcer, no Benfica-Liverpool?
«Ora bem, espero que me percebam. Em Portugal sempre disse que era benfiquista. Ainda por cima joguei lá. Sou benfiquista mas vou torcer pelo Liverpool. Estou cá agora e sempre torci pelo clube em que jogo. Portanto, estarei pelo Liverpool, nesses jogos.»

Toni: conheça a promessa que trocou o Benfica pelo Liverpool

Toni Brito Silva e Sá. Já ouviu falar dele? Se tudo correr pelo melhor, irá vê-los nos grandes palcos a médio prazo. Para já, fica o retrato possível do miúdo de 16 anos que trocou o Benfica pelo Liverpool. Rivais da Liga Europa, por sinal.

«O Toni veio da Guiné Bissau e estava a jogar no Damaiense. Assinou pelo Real Massamá dias antes de fazer 14 anos. Em Janeiro do ano seguinte, foi para o Benfica. É um médio esquerdino, com enorme poderio físico e visão de jogo. O talento está lá, mas é cedo para dizer se vai explodir ou não», resume Luís Neves, responsável das camadas jovens do Real, ao Maisfutebol.

O Benfica resgatou o jovem talento em Janeiro de 2008. Toni esteve nos iniciados do clube da Luz e preparava-se para o primeiro ano de juvenil, quando surgiu o interesse de emblemas britânicos. «O Chelsea chegou a negociar o Toni, mas depois ele foi para o Liverpool. Fizemos um acordo com o Benfica e iremos receber 10 por cento de todos os rendimentos futuros relativos ao Toni. Para já, ainda não recebemos nada», explica Luís Neves.

O Liverpool integrou o jovem médio nos seus quadros, antes de Toni assinar contrato de formação com o Benfica. A transferência levantou alguma polémica, mas o clube inglês acabou por negociar um pagamento por objectivos. Aos 16 anos, Toni procura o seu espaço em Inglaterra. «Temos esperança nele. Também apostámos no Nani e acredito que o Nani será dos melhores do Mundo em dois anos. Só tenho pena de termos ficado com apenas 5 por cento de uma futura transferência», conclui o dirigente.

Magia dos talentos africanos

Nascido na Guiné-Bissau, Toni chegou a Portugal para singrar no futebol e já integra a selecção lusa de sub-17. África continua a fornecer talentos precoces e os gigantes europeus estão atentos.

O Chelsea perdeu este médio esquerdino mas tem Mesca e Kaby, dois jovens com raízes africanas e internacionais por Portugal. «Há sempre alguma desconfiança em relação aos jovens que vêm de África, relacionadas com a sua idade, mas como provar isso? Quando à sua qualidade, fica dependente da evolução a médio prazo», lembra João Couto, antigo treinador de juvenis de Benfica e Sporting.

«No caso do Toni, acabei por estar pouco tempo com ele. Ele vinha para os juvenis, fez alguns treinos e jogos de pré-época, mas era a altura em que teria de assinar contrato de formação e acabou por desaparecer, saiu para o Liverpool. Tudo levava a crer que teria um bom futuro. É um médio ofensivo, que joga com o pé esquerdo, se bem que o direito não é cego», recorda o técnico.

As incertezas da juventude

João Couto apresenta um currículo louvável. Pelas suas mãos, passaram grandes craques, outros que se perderam ao atingir a idade adulta. No final da última época, o Benfica não renovou o seu contrato. O professor dedica-se à sua profissão, enquanto espera pelo regresso ao banco de suplentes.

«Fui sempre bem tratado no Benfica. São opções, se calhar por eu ser sportinguista, não sei. Sempre fui visto dessa forma. Estive no Sporting, sou sportinguista, mas agora também não teria grandes hipóteses lá, uma vez que estive no Benfica. Enfim, resta esperar», reconhece o técnico.

Enquanto espera, recorda os talentos que surgiram no seu caminho. «O melhor, já explodiu: Cristiano Ronaldo. Também o Hugo Viana, o Carlos Martins, agora o Daniel Carriço. O Varela surgiu mais tarde. Outros, como o José Semedo, o Edgar Marcelino, o Paulo Sérgio ou o Fábio Paim, não atingiram o mesmo patamar. No futuro do Benfica, posso destacar o Nélson Oliveira, por exemplo. Resta saber como todos os jovens se desenvolvem, é muito incerto», remata João Couto, em conversa com o Maisfutebol.

Deco: «ser português» e a despedida da selecção após o Mundial

«Fui apenas sincero». Deco, com a simplicidade de sempre, desvaloriza a polémica criada em torno das suas declarações recentes. «Sou brasileiro e não consigo ver a minha vida sem Portugal, amo Portugal por tudo aquilo que me deram, mas seria incapaz de dizer que sou português, porque não o sou», disse o médio, recentemente.

Em entrevista ao Maisfutebol, o jogador do Chelsea esclarece a questão, lembrando que sempre deu o máximo com as cores da selecção nacional: «Quem leu bem, quem viu a entrevista, percebeu o que eu disse. Disse apenas que não sou português, não nasci em Portugal, tal como outros jogadores que representaram a selecção.»

«Nesta geração mais jovem, não se nota tanto, mas há vários exemplos de jogadores que nasceram noutros países que não Portugal. Os próprios jornais descrevem-me como luso-brasileiro. Eu nasci no Brasil, cresci no Brasil, mas escolhi jogar pela selecção de Portugal», reforça o médio ofensivo.

Deco abre o coração, sem nunca levantar a voz. Está tranquilo, ciente do que disse e do que sente. «É o que eu sinto, não percebo a polémica. Ninguém me obrigou a jogar pela selecção portuguesa. Eu podia ter-me naturalizado português, era um direito meu, e não jogar pela selecção. Mas fiz essa escolha e vou dar o meu melhor no Mundial, se for convocado», remata. Ponto final na questão.

«Despeço-me depois do Mundial»

Aos 32 anos, Deco encara o futuro com serenidade. O final aproxima-se e tem contornos definidos. «Já decidi, despeço-me da selecção quando acabar o Mundial. No Euro2012, já teria 34 ou 35 anos, acho que não teria condições para jogar ao melhor nível. É uma decisão natural, chega o momento em que temos de dar o lugar aos mais jovens», reconhece.

O médio ofensivo continua a pensar numa aventura no futebol brasileiro. O Corinthians abre-lhe as portas, «Nesta altura, é melhor não falar muito sobre isso. Tenho o sonho de jogar no Brasil, mas para já tenho contrato com o Chelsea e estou concentrado no clube», garante, ao Maisfutebol.

«Seria importante para o F.C. Porto vencer o Benfica»

Deco, em entrevista ao Maisfutebol, deixou uma palavra de incentivo para os jogadores do F.C. Porto, em vésperas da final da Taça da Liga. O médio do Chelsea salienta a importância de um triunfo frente ao Benfica, histórico rival.

«Para o Porto, seria importante, uma vez que na Liga tem poucas hipóteses de chegar ao primeiro lugar. O Benfica também está bem, acho que vai ser um grande jogo», considera o jogador, que não esquece a sua passagem por Portugal, as alegrias com a camisola azul e branca.

Deco: «ser português» e a despedida da selecção após o Mundial

O F.C. Porto está na terceira posição da Liga e os adeptos questionam a continuidade de Jesualdo Ferreira. Deco evita falar em final de ciclo, mas reconhece que os indícios apontam nesse sentido «É natural, acontece com todas as equipas grandes, por vezes surge a sensação de um final de ciclo. Quando isso acontece, pensa-se logo em mudanças. Mas se vai acontecer ou não, não sei», diz.

O médio ofensivo centra atenções no Chelsea, na ressaca da despedida da Liga dos Campeões, frente ao Inter de Mourinho. «Foi uma derrota dura, não esperávamos, mas o Inter já tinha conquistado um bom resultado na primeira mão. Falhámos mais uma vez na Liga dos Campeões», desabafa

Deco falhou os últimos compromissos do Chelsea, devido a limitações físicas. Apesar das incertezas em torno do seu futuro, o luso-brasileiro garante que está concentrado nos objectivos imediatos dos «blues». «Eu já me sinto bem fisicamente e quero agora ajudar o Chelsea a chegar ao primeiro lugar da Premier League, é esse o nosso pensamento agora», conclui, em conversa com o Maisfutebol.