quarta-feira, 17 de março de 2010

F.C. Porto: vitória frente ao Benfica será dedicada a Mariano

O F.C. Porto já encontrou a fórmula ideal para motivar os seus jogadores, na preparação do escaldante confronto com o Benfica, na final da Taça da Liga. O plantel azul e branco está determinado a conquistar o troféu para dedicar a Mariano González.

O argentino, um dos capitães de equipa, contraiu uma lesão grave no jogo com a Académica. Entrou em campo e sucumbiu minutos depois, ao tentar fazer um desarme. Resultado: rotura total do ligamento cruzado anterior do joelho direito. Seis meses de paragem.

Mariano González não poderá dar o seu contributo ao F.C. Porto até final da época, mas serve de factor motivacional para o grupo. Apesar de não reunir consenso entre os adeptos, o extremo marcou golos importantes (frente a Man. United e Sporting, por exemplo) e é apreciado pelo seu companheirismo e profissionalismo.

Os jogadores ficaram sensibilizados com o drama pessoal de Mariano e decidiram, de acordo com as informações recolhidas pelo Maisfutebol, que um eventual triunfo frente ao rival Benfica será dedicado exclusivamente ao companheiro de equipa.

Mariano está remetido a tratamento no Olival, enquanto espera pela cirurgia. O regresso aos relvados está agendado para o início da próxima época.

F.C. Porto: Miguel Lopes quer «meter o Di María no bolso»

Miguel Lopes conquistou a titularidade no F.C. Porto e deve ser a escolha de Jesualdo Ferreira para o lado direito da defesa, na final da Taça da Liga. O lateral português irá defrontar o Benfica, clube que o dispensou em 2006.

«Vai ser um jogo especial para o Miguel, porque esteve na equipa B do Benfica, foi emprestado no ano seguinte e acabou por sair de vez. Ele quer provar que merecia ter ficado no Benfica», começa por dizer Nuno Lopes, extremo do Boavista e irmão gémeo de Miguel.

O jogador do F.C. Porto cresceu em Chelas, no seio de uma família de adeptos do Sporting, e já passou pelo Benfica. Um trajecto curioso.

Nuno revela o estado de espírito de Miguel. O defesa surgiu no onze após a desastrosa exibição de Fucile no Emirates Stadium, frente ao Arsenal. «O Miguel está confiante, fez uma boa exibição contra a Académica. Não errou uma única vez. Contra o Olhanense, não esteve tão bem, mas é preciso ver que ele não tinha ritmo. Agora está melhor», defende, em conversa com o Maisfutebol.

«Contra a Académica, o Miguel provou que merece a oportunidade. Espero que ele seja titular frente ao Benfica e já se está a preparar para esse jogo. Ele anulou o João Ribeiro, da Académica, e agora quer meter o Di María no bolso. É mesmo assim. Não o pode deixar virar-se, tem de estar sempre em cima. Ele está preparado para isso», assegura Nuno Lopes.

Miguel Lopes estuda o flanco esquerdo do Benfica. Fábio Coentrão, um velho amigo, deverá ocupar um lugar nesse corredor. Um encontro de antigos colegas no Rio Ave. «Ainda não falaram sobre este jogo, mas eles eram amigos no Rio Ave e continuam a falar um com o outro, de vez em quando», explica.

«O Fucile tem uma boa relação com o Miguel»

O lateral direito chegou ao F.C. Porto sem grande pompa. Contraiu uma lesão e ficou na sombra de Fucile. Agora, o cenário mudou. «Eles trocam conselhos, falam muito. Mesmo quando o Miguel estava de fora, o Fucile incentivava-o, ajudava-o. É tudo uma grande família», diz Nuno.

Contudo, Miguel Lopes espera agarrar a oportunidade e arrancar para uma bela recta final de temporada. «Ele tem melhorado muito em termos defensivos. Contra a Académica, não subiu tanto como costuma fazer. Percebeu que tem de ser essa a prioridade. Agora, está nas suas mãos segurar o lugar. Só depende dele», remata o extremo do Boavista.

Aos 23 anos, o irmão gémeo do lateral portista espera recuperar o tempo perdido e chegar ao mesmo patamar que Miguel. «É uma questão de oportunidade. Esta época está a correr bem. Fiz várias assistências e já marquei cinco golos. Vamos ver», remata, em jeito de promessa.

terça-feira, 16 de março de 2010

Vencedores da primeira Taça mundial renascem...138 anos depois

138 anos depois. A 16 de Março de 1872, o Wanderers Football Club vencia a primeira Taça do futebol mundial. O fenómeno conquistava adeptos em Inglaterra, berço da modernidade no desporto. A FA Cup veio para ficar. Até hoje.

Em dia de aniversário da primeira final da Taça de Inglaterra (FA Cup), o Maisfutebol redescobriu os Wanderers, renascidos após uma hibernação secular. O clube, orgulhosamente vestido de dourado e rosa, conquistou cinco dos primeiros sete troféus disputados. Chelsea e Everton, por exemplo, ainda não superaram essa marca.

Os Wanderers nunca perderam uma final. Chegavam a Kennington Oval, casa do cricket emprestada para o emergente desporto da bola no pé, e não falhavam. A palavra espalhou-se pelo Mundo. O conceito de Taça, competição a eliminar, propagou-se e perdurou no tempo.

«Queremos honrar o passado»

O emblema londrino desapareceu em 1887. Quinze anos após a primeira conquista, os Wanderers tombavam ao peso do seu nome. Um Wanderer é um viajante, alguém sem residência fixa. Os jogadores vinham das escolas locais. Estas criaram as suas próprias equipas e esgotaram os recursos naturais do primeiro vencedor do futebol mundial.

138 anos depois da histórica final da FA Cup, os Wanderers estão de volta. Um grupo de amigos tenta honrar o passado e recuperar a imagem do clube. A 15 de Maio, irão defrontar os Royal Engineers, finalistas vencidos nesse remoto ano de 1872.

«Já tínhamos uma equipa de amigos até que decidimos falar com a neta de um dos fundadores dos Wanderers, pedindo autorização para utilizar o nome do clube. Queremos honrar o seu passado e também angariamos fundos para a UNICEF. Estamos a começar, mas gostaríamos de entrar na FA Cup dentro de dois ou três anos», explica Mark Wilson, um dos fundadores dos novos Wanderers, ao Maisfutebol.

Levantar a taça com duas vitórias

O futebol encanta biliões de pessoas mas teve parto difícil. Em Inglaterra, tudo girava em torno do cricket. Em 1871-1872, a FA Cup arrancou com apenas 15 equipas. Dessas, três acabariam por desistir.

Os Wanderers levantaram o troféu com duas vitórias na competição. «Havia muito pouco interesse no futebol, nessa altura. Até para definir as regras, foi complicado. Mas nada apaga o mérito daquela conquista», considera Mark Wilson.

Os Harrow Chequers, primeiros adversários na prova, não compareceram. Na segunda ronda, os Wanderers venceram os Clapham Rovers (3-1). Seguiu-se o Crystal Palace, com um empate a redundar na qualificação das duas equipas.

Nas meias-finais, o Queens Park da Escócia ainda surgiu para um nulo, mas não teve dinheiro para disputar o jogo de desempate. Caminho aberto para a final. Em Kennington Oval, perante dois mil espectadores curiosos, Morton Betts marcou o único golo da final e derrubou os Royal Engineers. Momento histórico.

Isaías não esquece Benfica: «Chuta à vontade, Cardozo!»

Isaías não esquece a sua passagem pelo Benfica. O brasileiro marcou 71 golos com a camisola encarnada, o melhor registo entre os atletas sul-americanos que passaram pela Luz. Oscar Cardozo ameaça, com 66 tentos, mas Isaías não fica desiludido.

«Sinceramente, não sabia que eu tinha essa marca. Mas por mim, não me importo nada que o Cardozo chegue aos 71, 72, ou até que chegue aos 100 golos. É sinal que o Benfica seria campeão, isso é o mais importante. Chuta à vontade, Cardozo», diz Isaías, através do Maisfutebol.

O ex-avançado vive em Cabo Frio, onde ensina miúdos a jogar futebol e aproveita os jogos de veteranos para combater a obesidade. Enquanto isso, torce pelo clube que lhe deu maiores alegrias em Portugal. «Cardozo parece-me ser um bom jogador, do que tenho visto, também remata forte, mas só com o pé esquerdo, não é?», interroga, sem perder tempo: «Pois eu rematava com os dois, de todo o lado.»

«Sei que o Benfica está muito forte, este ano. Tem jogadores de grande qualidade e penso que só irá perder o campeonato se acontecer algo de anormal. O Braga está muito bem também, mas não é equipa grande, ainda não tem estrutura para aguentar até ao final», vaticina o antigo jogador.

«Sou benfiquista desde que assinei contrato»

Isaías chegou ao Benfica em 1990. Jogou no Rio Ave, cresceu no no Boavista e teve, recorda, vários convites em cima da mesa: «Sou benfiquista desde que o Major (ndr. Valentim Loureiro) me colocou três propostas à frente e eu escolhi aquela. As outras? Eram do Porto e do Sporting. Também escolhi o Benfica pelos jogadores brasileiros de grande nível que tinha na altura.»

«Fui muito feliz no Benfica e só lamento uma coisa: aquilo que Artur Jorge fez quando chegou. Aquilo não foi uma limpeza, foi mesmo estragar tudo o que havia de bom no clube. Por isso é que o Benfica esteve dez anos sem ganhar o título», considera.

«Os três primeiros remates iam sempre para fora»

Isaías esteve cinco temporadas na Luz. Pegava na bola e chutava. Ganhava balanço, procurava a bola e chutava de novo. De novo, de novo. Até acertar. «Os três primeiros remates iam sempre para fora, mas eu acabava sempre por acertar. Lembro-me de um jogo, com o Farense, em que estávamos a perder 1-0 e o Rufai estava a ser o melhor em campo. Lá marquei dois golos e demos a volta», diz, entre sorrisos.

Em 1995, com 71 golos no registo pessoal (Cardozo contabiliza 66, na terceira época de águia ao peito), o brasileiro partiu para o Coventry City, regressando posteriormente para jogar no Campomaiorense. «Marquei bons golos. Lembro-me desse Benfica-Farense, depois de um muito bom num Campomaiorense-Sp. Braga. E claro, quando vencemos o Arsenal, para surpresa de todos, em Londres», recorda.

Isaías não resiste à provocação. Benfiquista como diz ser, teria de aproveitar o momento para espicaçar o rival. «Vencemos o Arsenal em Londres, onde o Porto apanhou agora cinco, não foi? Eu também lhes costumava marcar uns golos, tinha esse hábito de marcar nos jogos grandes», remata o brasileiro, bem ao seu jeito.

Isaías quer o filho no Benfica: «Ele herdou o meu pé canhão»

Um novo Isaías na forja. O antigo avançado do Benfica garante que o filho, chamado Isaías Júnior, tem potencial para dar novas alegrias aos adeptos encarnados. «Ele herdou o meu pé canhão», avisa.

Aos 46 anos, Isaías Marques Soares ensina miúdos em Cabo Frio e espera pela oportunidade para regressar a Portugal. Objectivo: colocar o seu sucessor no Benfica. «Ele nasceu em Portugal, é português e quer jogar no Benfica. O seu sonho é fazer dupla com o Cristiano Ronaldo», explica.

«O Isaías Júnior tem o mesmo pontapé forte, mas claro que ainda lhe faltam outros aspectos. Só completou há pouco tempo o seu 18º aniversário. Mas se conseguir fazer metade que o pai fez em Portugal, já seria bom demais. Em Janeiro, ia levá-lo para treinar no Benfica. Não deu, mas será em breve», promete.

Isaías não esquece Benfica: «Chuta à vontade, Cardozo!»

«Vou torcer por Portugal no Mundial»

O ex-jogador de Boavista, Benfica e Campomaiorense sorri ao recordar o passado. Antes de Deco, Pepe ou Liedson, pensou-se em Isaías para a selecção de Portugal. A empatia perdurou no tempo.

«Chegou a falar-se nessa possibilidade, mas depois não se concretizou. Eram tempos diferentes, hoje é mais fácil. De qualquer forma, nunca mais esqueço o carinho dos portugueses. Vou torcer por Portugal no Mundial. Não torço contra o Brasil, mas espero que Portugal vença o Mundial», garante.

Enquanto espera pelo certame na África do Sul, Isaías combate o ócio em Cabo Frio. «Tenho os meus negócios, a escolinha de futebol e aproveito todas as oportunidades para jogar. Quando se tem bola no pé, não se pode parar. Na carreira, joga-se muito e come-se muito. Se parar depois, começa a inchar. Tenho o mesmo peso que tinha antes. Esperem para ver. Vou aí para colocar o meu filho no Benfica. Se não for lá, será noutro clube», finaliza Isaías, em entrevista ao Maisfutebol.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Três dias e um pesadelo em Londres

Hornby: fanático do Arsenal nomeado para os Óscares
http://www.maisfutebol.iol.pt/horas-vagas/oscares-arsenal-an-education-fever-pitch-nick-hornby/1145174-1478.html

Boa Morte e o Arsenal-F.C. Porto: «Está exactamente a 50-50»
http://diario.iol.pt/noticia.html?id=1145525&div_id=4062

Arsenal-F.C. Porto: «Árbitro esteve pior que Fabianski no Dragão»
http://diario.iol.pt/fcporto/arsenal-fc-porto-fabianski-martin-wiesner-maisfutebol/1145322-1304.html

Figura do Arsenal tira jogadores do vício há uma década
http://diario.iol.pt/noticia.html?id=1145580&div_id=4062

Arsenal-F.C. Porto, contra os canhões, marcar, marcar!
http://diario.iol.pt/noticia.html?id=1145621&div_id=4062

Brian Deane: «Fui muito feliz mas o Benfica era uma novela»
http://www.maisfutebol.iol.pt/benfica/brian-deane-benfica-arsenal-maisfutebol/1145681-1456.html

Brian Deane: «Aposto no 2-0, Porto não é bom fora»
http://www.maisfutebol.iol.pt/fcporto/brian-deane-fc-porto-arsenal-maisfutebol/1145685-1304.html

Arsenal aquece: destaque a Fernando e esmola para desconfiar
http://diario.iol.pt/noticia.html?id=1145867&div_id=4062

Emirates: a Luz, uma ferradura e o feng shui que guia Wenger
http://diario.iol.pt/fcporto/arsene-wenger-balneario-arsenal-ferradura-feng-shui-maisfutebol/1145718-1304.html

Arsenal-F.C. Porto, 5-0 (crónica)
http://www.maisfutebol.iol.pt/desporto/arsenal-cronica-fc-porto-maisfutebol-futebol-iol/1145905-4062.html

Arsenal-F.C. Porto, 5-0 (destaques)
http://diario.iol.pt/fcporto/destaques-fc-porto-maisfutebol-futebol-iol-arshavin/1145906-1304.html

Denilson revela: «Hulk estava bravo mesmo, estava danado»
http://www.maisfutebol.iol.pt/fcporto/arsenal-fc-porto-denilson-maisfutebol-futebol-iol/1145922-1304.html

Nuno André Coelho: «O mister já me vinha a falar disto há algum tempo»
http://www.maisfutebol.iol.pt/desporto/arsenal-fc-porto-maisfutebol-futebol-iol-nuno-andre-coelho/1145923-4062.html

Sabia? A Premier League nunca teve um vencedor inglês
http://www.maisfutebol.iol.pt/inglaterra/howard-wilkinson-maisfutebol-inglaterra/1146176-1488.html

Premier League: «Estrangeiros dão espectáculo com ingleses a ver»
http://www.maisfutebol.iol.pt/desporto/howard-wilkinson-wilkinson-maisfutebol-futebol-iol-inglaterra/1146175-4062.html

Veja três pérolas americanas que já caíram na rede de Wenger
http://www.maisfutebol.iol.pt/desporto/wellington-silva-arsenal-galindo-wenger-fc-porto/1146425-4062.html

F.C. Porto e Fucile ridicularizados pelos jornais ingleses
http://www.maisfutebol.iol.pt/fcporto/fc-porto-arsenal-imprensa-bendtner-maisfutebol/1145991-1304.html

Inglaterra morre de saudades de Mourinho
http://www.maisfutebol.iol.pt/desporto/jose-mourinho-inglaterra-chelsea-inter/1146595-4062.html

Paulo Ferreira e o Chelsea-Inter: «Todos querem ver Mourinho»
http://www.maisfutebol.iol.pt/desporto/paulo-ferreira-chelsea-mourinho-jose-mourinho-inter-maisfutebol/1146737-4062.html

Paulo Ferreira e os bigodes: «Íamos ser gozados no Mundial»
http://www.maisfutebol.iol.pt/desporto/paulo-ferreira-maisfutebol-entrevista-mundial-bigodes/1146822-4062.html

Paulo Ferreira, 31 anos: «Penso terminar a carreira no Chelsea»
http://www.maisfutebol.iol.pt/inglaterra/paulo-ferreira-entrevista-chelsea-maisfutebol/1146852-1488.html

Paulo Ferreira chegou a capitão: «Falta um título na selecção»
http://www.maisfutebol.iol.pt/inglaterra/paulo-ferreira-maisfutebol-seleccao-mundial-entrevista-chelsea/1146853-1488.html

Paulo Ferreira e Fucile: «Não é só um jogador o responsável»
http://www.maisfutebol.iol.pt/fcporto/paulo-ferreira-maisfutebol-chelsea-fucile-fc-porto-entrevista/1146854-1304.html

terça-feira, 2 de março de 2010

Coelho: do Porto ao Inter, do Benfica à bancada do Paços

Ponto prévio: José Manuel Barbosa Alves, Coelho no mundo do futebol, fala com uma desenvoltura mental imprópria para um miúdo de 20 anos acabadinhos de fazer. É craque nas palavras, talento enclausurado com a bola nos pés.

Passou por F.C. Porto, Inter de Milão e Benfica. Agora é reserva do Paços de Ferreira.

«Quando se acaba de fazer uma casa, percebe-se que podia ter sido feita de outra forma melhor. Há coisas de que me arrependo na minha carreira, até ao momento, mas acredito que tenho um bom futuro pela frente», atira, em entrevista ao Maisfutebol.

Nos relvados, ele dribla, simula, avança em curva-contra-curva por entre adversários. No discurso não. Pensa, reflecte e solta ideias próprias, moldadas num passado recente com demasiados altos para o actual baixo.

Foi emprestado pelo Benfica no início da época, fez cinco jogos como suplente utilizado em Paços de Ferreira e eclipsou-se.

A formação pacense visita o Estádio da Luz mas José Coelho não sonha. Já o fez demasiado. Com Ulisses Morais, deixou de ser opção. A partida de Paulo Sérgio para Guimarães coincidiu com o seu ocaso na Mata Real. «Sabia que ia ser complicado, até porque fui o único jogador nascido em 90 e emprestado pelo Benfica a uma equipa da Liga.»

Três colossos na rotunda de Paços

José Coelho surgiu no P. Ferreira, segundo avançado com 175 centímetros. Em 2001, rumou ao F.C. Porto, onde explodiu.

«Fui muito feliz no Porto, foi o melhor período que tive enquanto jogador, na minha carreira. Há pouco tempo, fui jogar lá para a Liga Intercalar e fui muito bem recebido. Quem sabe bem a história, sabe que a culpa de sair do Porto não foi só minha», lembra.

Em 2006, o jovem internacional português recebeu um convite do Inter de Milão. Fez o que quase todos fariam. Aceitou. O F.C. Porto contestou a transferência e venceu a causa. Coelho pagou uma factura pesada. Ficou um ano sem jogar.

«Penso que o Inter pagou. A Federação italiana assumiu a culpa, interpretou mal uma carta da FIFA, mas fui eu o principal prejudicado», desabafa.

Nos juvenis do Inter de Milão, partilhou quarto e ataque com Mario Balotelli. Regressaria a Portugal para jogar no Benfica. Passou pelos juniores e retornou à casa de partida neste defeso. O seu Paços de Ferreira abriu as portas, para uma época de promessas por cumprir.

«No início do ano, disse que esta época seria o fim do meu purgatório. Infelizmente, isso não está a acontecer. Resta-me esperar e trabalhar, porque depois da tempestade, vem a bonança. Em Janeiro houve possibilidade de sair de P. Ferreira, mas as pessoas disseram-me que a segunda volta ia ser diferente. Não tem sido, tenho de respeitar», resume Coelho.

O indomável Balotelli e Pablo Aimar, o maior de todos

Coelho recupera memórias com classe. Enumera talentos, compara estilos, relata histórias como jornalista ou escritor. É jogador de futebol. Passou por F.C. Porto, Inter de Milão e Benfica. Agora, tenta encontrar o seu espaço no Paços de Ferreira.

Folheando o livro de memórias, tantas para um jovem de apenas 20 anos, encontram-se referências vincadas a Mario Balotelli e Pablo Aimar. Duas gerações, dois talentos incomparáveis. Em entrevista ao Maisfutebol, José Alves «Coelho» garante que nunca viu nada parecido com aqueles dois.

«Joguei com o Balotelli nos juvenis do Inter de Milão. Era o meu colega de quarto e, sim, sempre teve um feitio muito complicado. Mas atenção: é bom rapaz. Diz as coisas, tem o coração quase fora da boca, mas depois reflecte e vem pedir desculpas», começa por relatar.

Balotelli, o homem que mantém uma relação de amor-ódio com José Mourinho, já sabia que iria chegar ao topo. Marcava golos atrás de golos, saltava etapas na formação. Quando era criticado, respondia tão depressa como responde por estes dias: «Andávamos na mesma escola e, sempre que lhe diziam alguma coisa, ele respondia sempre o mesmo: Daqui a uns anos, vais ver, ainda te vais arrepender de dizer isso.»

O avançado chegou ao topo. Coelho continua à procura de um espaço. Os dois amigos mantém o contacto e o jogador português revela que Balotelli sempre quis trabalhar com Mourinho.

«Falei com ele no início da época e disse-me que adorava trabalhar com Mourinho, os treinos sempre com bola. Em Itália não costuma ser assim, é muito físico. Sempre vi que Balotelli ia longe. Joguei contra a Espanha do Bojan, o Brasil dos irmãos Silva (Man. United) e do Lulinha (Estoril) e ninguém tinha tanto talento como o Balotelli», garante.

«Aimar é o melhor jogador com quem tive contacto»

Agora, o Benfica, próximo adversário do P. Ferreira na Liga. Coelho não deve ser utilizado no Estádio da Luz, palco que já pisou em jogos da equipa júnior e em treinos esporádicos no plantel principal. Lá, encontrou Pablo Aimar, «o maior de todos».

«Nos treinos, surpreendia-me sempre a qualidade do Aimar, para além do Di María. O Aimar é mesmo espantoso. No Inter, os jogadores do plantel principal vinham treinar connosco quando estavam a recuperar de lesões, mas mesmo entre esses nunca vi ninguém a jogar melhor que Aimar. É o melhor jogador com quem tive contacto», garante.

Coelho salienta ainda um trio de benfiquistas, enquanto deseja boa sorte aos encarnados para a recta final do campeonato.

«Em termos de integração, tenho de destacar o David Luiz, o Ruben Amorim, o Nuno Gomes. Sempre preocupados em integrar os jovens, em fazer-nos sentir bem. Espero voltar no futuro, mas sou realista, sei que muito dificilmente integrarei o plantel principal na próxima época», remata o avançado

segunda-feira, 1 de março de 2010

Viver no mar: um pequeno passo para a liberdade

Já imaginou viver em alto mar, numa sociedade formada de raiz, sem leis impostas pelo Governo que o leva ao desespero? Eles já. Nas últimas décadas, multiplicaram-se projectos de aproveitamento do espaço marítimo para uma vida em liberdade. O tvi24.pt partiu à procura de novos Mundos no Mundo.

O Sealand surge como ponto de partida nesta aventura. Um projecto maltrapilho, em alicerces já erguidos pelo homem e reinventados por um grupo que chegou a reclamar o estado de Nação. Surgiu em 1967 e garantiu a sua independência durante mais de quatro décadas. Até hoje. Tornou-se uma referência, por isso mesmo.

Aproveitando a ausência de leis rígidas em Águas Internacionais, grupos de pessoas tentam e tentaram criar plataformas habitacionais para alcançar a liberdade. Gente que já tentou comprar terras para viver em comunidade, sem conseguir fugir às amarras das leis urbanas. Excêntricos, milionários, visionários, há de tudo. E vieram para ficar.

Uma lei com espaço por explorar

Ao longo das últimas décadas, os países alargaram a sua soberania com um conceito de mar territorial (22 quilómetros desde a costa) e outro de zona de controlo económico (370 quilómetros). Decorem o primeiro número.

Lembram-se da Women on Waves? A organização sem fins lucrativos fixou-se em águas fora do controlo territorial de Portugal para informar e proceder a abortos legais. Nesse espaço, uma embarcação deve obedecer às leis do país que apresente na bandeira hasteada. Em suma, é esta encruzilhada legal que os futuristas da vida no mar pretendem aproveitar, numa primeira fase.

Projectos falhados e destruídos

A ideia não é nova. O Sealand, como foi explicado, surge como única referência sustentável no passado recente. Desde sempre, aliás. Um grupo ocupou uma plataforma britânica abandonada após a II Guerra Mundial, fora de águas territoriais. Inglaterra tentou recuperar o espaço mas desistiu por ordem judicial. O seu controlo não abrangia aquelas águas. Sealand perdurou e reivindica o estatuto de estado soberano. Não reconhecido, claro está.

Esta bandeira de liberdade inspirou centenas de pessoas e prepare-se para ser confrontado com várias tentativas num futuro próximo. O Instituto Seasteading é um projecto a médio prazo que está a despertar muito interesse da comunidade internacional. Sobretudo desde que Peter Thiel fez um investimento. Este norte-americano, inventor do sistema Paypal, foi o primeiro a acreditar no potencial do Facebook, por exemplo. Com o sucesso conhecido.

Rosas com espinhos

Por cada ideia concretizável, contabilizam-se dezenas de utopias. O Freedom Ship, por exemplo, é um projecto ambicioso. Um navio com 1400 metros de comprimento, 230 metros de largura e 110 metros de altura, população residente e uma autonomia para estar no mar sem depender de terceiros. Ainda não saiu do papel.

Nesta panóplia de projectos futuristas, surgem relatos da ganância de homens e poderes. A Ilha das Rosas merece uma menção honrosa. Nos anos 60, o engenheiro Giorgio Rosa montou uma plataforma com 400 metros quadrados, a 11 quilómetros da costa de Rimini, Itália. Tinha um restaurante, uma loja e um banco, por exemplo. Em 1968, declarou independência, mas foi rapidamente invadida pelo governo transalpino, por alegada fuga aos impostos, quando já estava atolada de turistas. Seria destruída dias depois. Preocupante.



Viver no mar: Sealand, o projecto viável do passado

Na viagem pelos projectos de vida em alto mar, Sealand surge como referência incontornável. Apresentou-se ao Mundo em 1967 e subsiste até aos dias de hoje. Tem um Príncipe e demais herdeiros. Moeda, selos, hino e constituição. É um país. Ou seria, se alguém o reconhecesse como tal.

O Reino Unido abandonou uma base naval após a II Guerra Mundial, a 11 quilómetros da costa. O excêntrico Roy Bates aproveitou. Ocupou o espaço em 1967 para projectar uma rádio pirata e ficou. Foi ficando até hoje. Tanto que Sealand, aliás Principado de Sealand, é apresentado pelos próprios como um Estado independente de facto. Mais à frente, perceberão porquê.

O governo britânico ainda tentou recuperar o local, mas encalhou numa ordem judicial, considerando que o espaço estava fora das suas águas territoriais. Dez anos mais tarde, um empresário alemão invadiu Sealand e reclamou a propriedade, mas Roy Bates, entretanto denominado Príncipe Bates, recuperou o espaço e fez reféns, obrigando um diplomata holandês a viajar até à base naval (só acessível de barco ou helicópreto) para negociar a libertação dos prisioneiros.

Sealand perdurou como micronação, mesmo não passando de uma plataforma devoluta com um edifício e uma média de 20 habitantes. Reclama importância pelo conceito, pela independência conquistada no mar, servindo de exemplo para futuros projectos.

O tvi24.iol.pt entrevistou o Príncipe Michael Bates, filho de Roy e actual responsável pelo espaço, devastado em 2006 por um enorme incêndio. Aqui fica o testemunho de Bates:

Continuam a viver pessoas em Sealand de forma permanente?
«Sim, vivem pessoas na fortaleza, de forma permanente, há 43 anos.»

Em 2007, decidiu colocar o Sealand à venda. Há interessados?
«Sim, têm surgido várias propostas interessantes. Da Rússia, da América do Sul, do Golfo Pérsico e do conhecido site Pirate Bay.»

Os seus filhos estão dispostos a manter o legado de Sealand?
«Sim, eles continuar a estar envolvidos, por vontade própria.»

Você falou sobre a possibilidade de criar uma selecção nacional de futebol. Como está esse projecto?
«Óptimo. Neste momento, estamos à procura de um patrocinador. Depois, começaremos a jogar. Será algo como um David contra os Golias.»

Como estão as vossas relações com o governo do Reino Unido?
«O Reino Unido utiliza uma táctica e sempre: ignorar coisas que não representem uma ameaça directa. Eles ignoram Sealand e Sealand ignora-os, apesar de nem sempre ser fácil, porque basta olhar pela janela para vê-los. Sem brincadeiras, nunca prejudicaríamos os interesses do Reino Unidos e temos muito orgulho na nossa dupla nacionalidade.»



Viver no mar: Seasteading, o projecto viável do futuro

A ideia de uma comunidade instalada no mar está geralmente associada ao libertarismo, filosofia política que defende a liberdade absoluta para os homens, algo como a anarquia com preocupações de livre concorrência dos mercados. O Instituto Seasteading, o projecto mais viável para o futuro, não foge a essa tendência.

O Seasteading marca pontos entre os rivais por dois motivos: aposta na pequena escala, não caindo na tentação de utopias incomportáveis do ponto de vista financeiro e tecnológico, e despertou a atenção de um bilionário com especial apetência para desenterrar minas de ouro.

Peter Thiel conquistou o mundo quando lançou o sistema Paypal e investiu agora 500 mil dólares no Seasteading Institute. Exactamente o mesmo montante que aplicou num pequeno projecto em 2004: o Facebook. Pois.

O tvi24.iol.pt entrevistou Naomi Most, Gestora de Desenvolvimento do projecto Seasteading, procurando compilar informações sobre um plano de âmbito global que aposta na troca de experiências e interactividade.

Em suma, os promotores desta iniciativa querem criar pequenas plataformas auto-suficientes, algo como um navio de cruzeiro com bóias semi-fixas. Cada plataforma seria entregue a um grupo com um projecto de sustentabilidade económica e política. A médio prazo, as plataformas cresceriam em número de pessoas e independência.

Parece utópico? Claro. Tanto quanto parece uma inevitabilidade. Naomi Most, Gestora de Desenvolvimento do Seasteading, não tem dúvidas.

Em termos gerais, qual a diferença entre o Seasteading e os projectos que falharam no passado?

«Existem diferenças significativas entre o nosso primeiro projecto de engenharia, o Poseidon, e outros. A diferença principal está nos conceitos. Os Seasteads que usem a nossa filosofia devem ser modulares, confortáveis e resistentes a tempestades. Os módulos são importantes por questões económicas e políticas. Um módulo deve ser independente e ter igualmente capacidade para ligar-se a outros módulos. Também estamos preocupados como os custos. Enquanto os outros apostam em milagres tecnológicos, nós preferimos a tecnologia existente.

Pode dizer-nos uma data realista para a inauguração do primeiro projecto do Seasteading?

«Escolhemos 2015 como o ano de lançamento do Projecto Poseidon (ndr. uma estância subaquática), o nosso primeiro módulo independente e auto-suficiente do ponto de vista financeiro. Será essencial para o desenvolvimento de questões de engenharia e legais. Também estamos a apostar no nosso festival anual, o Ephemerisle.»

Vários projectos falharam no passado devido à falta de cooperação dos países, pouco dispostos a abdicar do seu controlo político. Têm esse receio?

«Olhando para a lei internacional, parece que uma ilha artificial só pode ter independência total se estiver fora do limite de 370 quilómetros em relação à costa. Contudo, essa realidade é utópica, nesta altura, em termos económicos. Por isso, numa primeira fase, vamos apostar em soluções de compromisso com nações que estejam dispostas a algumas cedências.»

O Steasteading Institute pretende criar projectos auto-suficientes. Dessa forma, quais serão os vossos lucros a médio prazo?

«O nosso objectivo passa por recolher os frutos de um mundo com maior leque de escolhas. A liberdade individual gera progresso tecnológico, político e financeiro. A inovação só é possível quando há espaço para a experimentação»