segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Hulk já venceu um Porto-Arsenal no Agreste Parabiano (vídeo)

Hulk contra Denilson, um F.C. Porto-Arsenal em pleno Agreste Parabiano. Não acredita? Basta ver o vídeo no final desta prosa. O duelo, agora reeditado na Liga dos Campeões, propagou-se para outras latitudes, atravessando o Atlântico para conquistar os adeptos brasileiros. Foi no Verão de 2009 e aqui fica uma boa notícia para os portistas: Hulk venceu por 3-2.

«Jogámos juntos na juventude. O Hulk é da Paraíba e minha família também é de lá, por isso houve uma afinidade e acabámos por nos tornar amigos. Depois ele foi para o futebol japonês e eu vim para a Inglaterra. Perdemos o contacto. Só nos voltamos a encontrar na temporada passada, no confronto entre Arsenal e F.C. Porto, na Liga dos Campeões», explica Denilson ao Maisfutebol, com a intermediação da sua assessoria de imprensa.

Denilson reencontrou Hulk na época passada e agendou um encontro particular para o interior do estado da Paraíba, no Brasil. Uma forma de juntar amigos e doar cestas de alimentos para famílias carenciadas da região. A 7 de Junho, num relvado à moda dos Distritais, as pessoas dispersaram pelo peão (não havia bancadas) para assistir a um duelo europeu.

Hulk levou vários equipamentos do F.C. Porto, Denilson fez o mesmo com a roupagem alternativa do Arsenal. Jogou-se em Alagoa Nova, terra dos pais do médio. Mesmo na condição de visitantes, os dragões formados por Hulk, seus amigos e familiares chegaram ao triunfo. O pai do portista falou com emoção sobre o crescimento de Givanildo, vulgo Hulk.

«Foi um jogo beneficente e o objectivo foi arrecadar alimentos para as famílias necessitadas que vivem na cidade. Felizmente cumprimos o nosso objectivo e ajudamos muita gente que precisava. Naquele jogo eu posso dizer que nós dois saímos vencedores, pois conquistámos o nosso principal objectivo que era ajudar as pessoas. O resultado do jogo foi o menos importante», atira Denilson, acrescentando: «Agora teremos um jogo a sério e estou muito feliz por poder enfrentar o Porto, pois poderei rever o meu amigo Hulk.»

O avançado brasileiro continua afastado da competição, devido à suspensão preventiva imposta após os incidentes no túnel da Luz. Enquanto espera pela conclusão do processo, Hulk treina arduamente para regressar aos relvados da Liga dos Campeões. Tal como o Maisfutebol avançou, Jesualdo Ferreira pondera utilizar o jogador, apesar da natural falta de ritmo.

Contas feitas, Hulk perdeu um jogo com o Arsenal e venceu dois. Um no Dragão (2-0), outro no chamado Agreste Parabaino (3-2), sem milhões à mistura. Contudo, o primeiro dos duelos com Denilson, o momento do reencontro, ficou marcado pela goleada dos Gunners (4-0) e por um largo sorriso de Arsène Wenger, após falhanço da sua equipa na enxurrada.

Essa imagem continua na memória dos adeptos do F.C. Porto, mas os jogadores do Arsenal nem se aperceberam do ultraje. «Sinceramente, não sabia disso. Mas acredito que o Arsène Wenger não faria isso com a intenção de menosprezar o Porto, pois ele é um técnico muito experiente e consciente. Acredito que tenha sido um mal entendido», remata Denilson.

Veja o vídeo:

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Bischoff reencontra Wenger: do Arsenal às Aves em meio ano

Amaury Bischoff jogou na Taça UEFA há dois anos, pelo Werder Bremen. Na época passada, sentiu as emoções da Premier League com a camisola do Arsenal. Agora, sente a dureza da Liga de Honra. Em seis meses, o internacional português passou de Londres para a Vila das Aves.

A visita do Arsenal a Portugal, na primeira parte do duelo com o F.C. Porto na Liga dos Campeões, permitirá a Bischoff matar saudades de um treinador com especial predisposição para apostar em jovens: Arsène Wenger. «Foi um privilégio trabalhar com ele, é um dos maiores treinadores do Mundo. Para mim, como jovem, foi fenomenal», lembra.

Em entrevista ao Maisfutebol, Amaury Bischoff mostra o lado B do futebol. Os adeptos portugueses não conheciam este médio nascido em França. De repente, surgiu nas selecções lusas. Tinha sido internacional gaulês na categoria sub-18, mas a Federação portuguesa lançou uma campanha de charme e conquistou um talento precoce.

Filho de mãe portuguesa, apesar das contínuas dificuldades em falar a língua de Camões, Bischoff começou a aparecer no nosso radar. Esteves no sub-20, nos sub-21 e até despertou a atenção de Carlos Queiroz. Agora, com 22 anos, cai do céu para conhecer a realidade do segundo escalão português.

«Não consigo explicar o que se passou»

Amaury Bischoff começou no Colmar e passou para o Estrasburgo, em França. Em 2005, foi contratado pelo Werder Bremen como uma grande aposta para o futuro. Tanto que, dois anos mais tarde, substituiria Diego (ex-F.C. Porto) num jogo da Taça UEFA, em Vigo. Aqui bem perto.

No final da época passada, foi resgatado pelo Arsenal. «Amaury é jovem, mas muito promissor», dizia Wenger. Juntou-se a Rui Fonte nas reservas, deu nas vistas e chegou à Premier League. Um único jogo, concretizando um sonho.

Os problemas físicos condicionaram a aposta. No último defeso, o Arsenal libertou as duas pérolas lusas (Rui Fonte e Bischoff). Seguir-se-ia a Académica, para finalmente conhecer a Liga do país que lhe abriu as portas da selecção. Nova desilusão. Fez apenas quatro jogos pela Briosa.

«Não era o que eu estava à espera. Joguei na Premier League, mas saí do Arsenal para ter continuidade e mostrar-me a Queiroz. Pensei que ia jogar mais na Académica e não consigo explicar o que se passou. Villas Boas chegou e está a melhorar a equipa, fico satisfeito por isso, mas não me deu uma oportunidade. Assim, fui emprestado ao Aves em Janeiro », sintetiza o luso-francês.

Amaury chegou à Liga de Honra e foi infeliz na estreia. O Aves venceu o Trofense, jogando com dez elementos após a expulsão do médio, ao minuto 48: «Vi dois amarelos, mas o segundo foi exagerado. Foi a primeira expulsão da minha carreira. Tenho de aprender.»

«100 por cento seguro que Arsenal passa»

Falando desde a Vila das Aves, longe do brilho de Bremen ou Londres, Amaury Bischoff mantém a esperança enquanto projecta o duelo entre F.C. Porto e Arsenal. «Joguei nos maiores campeonatos da Europa, com enormes jogadores, mas agora só penso em afirmar-me. Sei que não estou nos planos de Queiroz nesta altura, mas espero voltar em breve.»

«Vou aproveitar o jogo do Arsenal no Porto para matar saudades dos meus antigos colegas, como o Sagna ou o Rosicky. Estou 100 por cento seguro que o Arsenal vai qualificar-se para os quartos-de-final. O Arsenal tem muitas armas. O F.C. Porto é uma grande equipa mas perdeu jogadores como Lisandro ou Lucho. Penso que o Arsenal vai resolver a eliminatória em casa», prevê o jogador.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Derlei recorda derby no Algarve: «A Taça era para o Sporting»

Sporting e Benfica reencontram-se na Taça da Liga, reavivando a memória da final da época passada, no Estádio do Algarve. Nesta terça-feira, em Alvalade, os leões esperam reescrever a história e conquistar o triunfo que fugiu entre os dedos há um ano.

Estávamos a 21 de Março de 2009, com Paulo Bento no banco do Sporting e Quique Flores como treinador do Benfica. Pereirinha inaugurou o marcador após o interval (48m), mas Reyes anulou a desvantagem na sequência de um castigo máximo. O caldo entornou.

«Merecíamos vencer aquele jogo, a Taça era para o Sporting. O jogo estava controlado e estávamos em vantagem, até ao momento em que o árbitro considerou que o Pedro Silva deu mão na área», recorda Derlei, em conversa com o Maisfutebol.

Pedro Silva foi expulso por acumulação de amarelos, Quim brilhou no desempate por grandes penalidades e o lateral brasileiro estragou definitivamente a festa ao atirar a sua medalha para bem longe, exteriorizando a sua revolta. «Ele errou e admitiu, mas a verdade é que, a partir do momento em que o Pedro conquistou o direito de ganhar a medalha, podia fazer com ela o que bem entendesse.»

Quim defendeu três c astigos máximos, recuperando o estatuto de herói encarnado após uma época marcada por injustiças. «O Quim esteve muito bem mas nós já não estávamos com a mesma concentração. Aquela situação do penalty gerou tanta revolta que nunca mais conseguimos recuperar», lembra Derlei, um dos jogadores a falhar nesse momento decisivo, a par de Rochemback e Postiga.

«Um derby muda tudo»

O Sporting tropeça e cai, Sá Pinto sai após caso de violência com Liedson, Rui Patrício não escapa aos assobios dos adeptos. Do outro lado, apesar do empate em Setúbal, o Benfica conserva a moral elevada.

«Tenho acompanhado as situações do Sporting. Quando ao primeiro caso, só posso dizer que isso acontece em todos os clubes, mas normalmente não transpira para fora. Desta vez aconteceu, infelizmente. Quanto ao Rui Patrício, ele é profissional e tem de aguentar as críticas, não se pode deixar abalar. Tem muita qualidade e também tem ainda muito para evoluir», avisa Derlei.

O avançado brasileiro evita prognósticos para o derby de terça-feira. Num clássico, tudo se esquece, tudo se renova. «É natural que o Benfica tenha maior tranquilidade, até pelo nível alto que tem mantido. Mas um clássico é um clássico. Uma vitória num derby muda tudo. Os jogadores do Sporting sabem que é uma excelente oportunidade para recuperar. Tenho amigos dos dois lados e se o Benfica vencer, também será merecido, pela época que estão a fazer», remata Derlei.

O antigo jogador do Sporting continua a treinar sozinho para manter a forma, estudando a possibilidade de representar o Madureira, seu antigo clube no Brasil. Fora de hipóteses, garante ao Maisfutebol, está a possibilidade de colocar já um ponto final na sua carreira de jogador.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Nas nuvens: jogadores longe do topo com medo de voar

Paolo Guerrero, avançado peruano do Hamburgo, continua retido no seu país após quatro tentativas para entrar num avião e regressar à Alemanha. Este caso relança a discussão sobre o tema: como pode um jogador chegar ao topo com medo de voar?

Dennis Bergkamp é figura incontornável na abordagem à aviofobia no mundo do futebol. Com o filme Up in the Air (ndr. Nas Nuvens), George Clooney garantiu meia dúzia de nomeações para os Oscares, retratando a vida de um profissional que passa 300 dias por ano a voar.

Uma realidade impensável para Guerrero, Bergkamp ou mesmo para o português Marco Cadete. Os relatos multiplicam-se entre figuras menos conhecidas no futebol internacional. Por cá, alguns sofrem em silêncio. Cadete, lateral de 31 anos, conta toda a história ao Maisfutebol.

«Perdi muitos quilos até à Madeira»

«Estou no Feirense e já fomos jogar aos Açores, frente ao Santa Clara. Eu não fui porque está estipulado no meu contrato. Faço questão de explicar logo aos clubes que não podem contar comigo para andar de avião. Não adianta mesmo», começa por dizer.

Marco Cadete reconheceu a sua fobia em 2002/03, quando representava o Olivais e Moscavide. Pela primeira e última vez, entrou num avião: «Íamos jogar à Madeira, dizem que a viagem foi tranquila, mas basta-me explicar que perdi muito quilos até chegar lá e nem joguei, tal o meu estado. Na semana seguinte, rescindi com o clube. Havia mais quatro equipas das ilhas naquela divisão!»

O lateral chegou ao escalão principal, através do Leixões, mas não mudou de ideias. Seguiram-se Gondomar e Feirense. Sem arrependimento. «Talvez isso me prejudique, mas não há nada a fazer. Andei no psicólogo, mas aquilo era conversa fiada. Já fico nervoso se estou numa sala sem janelas e a porta se fecha, quando mais num avião! As férias são sempre de carro, já fui a França e Itália assim. Só voaria se a vida de alguém próximo dependesse disso», garante Marco Cadete.

Bergkamp e os outros

Dennis Bergkamp, conhecido como «homem de gelo», só quebrava quando lhe falavam em voar. Segundo os relatos, o soberbo avançado ficou petrificado quando um jornalista lançou o boato de uma bomba a bordo da aeronave onde seguiam. Era brincadeira, mas colou. Para sempre, no caso do «holandês não-voador».

Raúl Gutiérrez, médio do Blooming e da selecção do México, desistiu da carreira aos 32 anos, lamentando ser incapaz de contornar a aviofobia. Nessa altura, o jogador já tinha cedido perante o receio. Ganhava metade do salário e só entrava em campo nos jogos em casa. Fora, nunca!

Nem o Rei Eusébio escapa ao temor. Nomes como Muhammad Ali ou B.A. Baracus provam que a aviofobia toca a todos.

Uns combatem a fobia com comprimidos, outros com álcool, outros com psicologia. Uma imensa minoria fica sempre em terra.

«Guerrero, vem de barco!»

Entretanto, enquanto o leitor assimila estas linhas, Paolo Guerrero continua a combater o seu medo, no Perú. O tio José González, ex-jogador, morreu num acidente aéreo.

Recentemente, quando o Hamburgo regressava de Paris, o avião onde a equipa seguia teve de aterrar de emergência. O avançado de 26 anos não mais recuperou. Ainda viajou para o seu país, mas não consegue regressar.

O jogador recupera de lesão e continuará no Perú até Março, com autorização do clube. Na última tentativa, Guerrero ainda levantou voo, apenas para exigir o regresso do aparelho a terra firme, 40 minutos depois. «Tinha diarreia severa e desidratação, efeitos da gastroenterite», diz o jogador, procurando contornar o trauma.

Por via das dúvidas, aqui fica o conselho de Marco Cadete: «Guerrero, vem de barco!»

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Nasceu no Brasil, foi eremita no Gerês e quer jogar por Portugal

Elinton Andrade nasceu no Brasil há 30 anos. Guarda-redes com 190 centímetros e uma determinação inatacável, o suplente de Mandanda no Marselha fala ao Maisfutebol sobre a sua passagem por Portugal, esperando por uma chamada para a selecção nacional orientada por Carlos Queiroz!

Esperou sete meses no nosso país para ter o passaporte português. Cinco anos depois, esperou outros sete para defender, pela primeira vez, a baliza do Marselha. Na quarta-feira, foi titular na vitória frente ao Saint-Etiènne, para a Taça da Liga.

Elinton despontou no Vasco da Gama, passou sem brilho pelo Ascoli de Itália e recuperou a fama no Rapid de Bucareste. Neste defeso, rumou a França, ganhando novo fôlego na carreira.

«Claro que também gostaria de jogar pela selecção do Brasil, mas falando verdade, a minha vontade até é maior de jogar por Portugal», atira Elinton, logo à partida. Surpreendente. Por cá, poucos o conhecem. Mas ele sabe quem são Eduardo, Rui Patrício, Hilário, Carlos Carvalhal e muito mais.

Plantou batatas e correu nas montanhas

A história é deliciosa. No final de 2005, Elinton saiu do Vasco da Gama para rumar à Europa. De repente, encalhou em Portugal e descobriu Vieira do Minho, apaixonando-se pelas montanhas do Parque Nacional Peneda-Gerês.

«A minha esposa tem família em Portugal e eles acolheram-me com grande carinho. Esperei sete meses pelo passaporte português. Como eles tinham um projecto de turismo rural, ajudei-os em tudo, até a plantar batatas. Nesses meses, treinava sozinho: ia correr para as montanhas do Gerês, chutava para a parede da quinta para defender as bolas, fazendo balizas com caixas de laranjas e limões», recorda o guarda-redes.

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras arrastava a questão. De repente, problema resolvido: «Consegui tudo numa semana, quando fui convidado para a selecção portuguesa de futvolei. Passado uns dias, estava o meu nome no Diário da República.». Acabava-se a vida de eremita no Gerês. Em Maio de 2006, Elinton despedia-se de Portugal. Um até já.

Encantou Carvalhal e o V. Setúbal

«Estive bem no Rapid de Bucareste e chegaram a existir contactos de Portugal. O Carvalhal queria-me para o Marítimo e pediu informações ao Pitbull e ao João Paulo. O V. Setúbal abordou-me directamente, mas o salário era muito inferior», recorda o guarda-redes de 30 anos.

O Marselha garantiu o seu concurso neste defeso. Elinton trabalha a pensar na saída de Mandanda e num convite de Carlos Queiroz. «Estou a torcer para que o Mandanda vá para o Barcelona ou o Real Madrid. Vou ser titular na Liga, neste fim-de-semana, porque ele está lesionado», atira.

«Eu vejo as coisas assim: o Hilário está na selecção. É suplente do Chelsea mas é conhecido. Portanto, também me dou a conhecer. E falo directamente! Se pudesse escolher entre Brasil e Portugal, escolhia Portugal! Até porque o Brasil tem seis ou sete guarda-redes de selecção», remata Elinton, na entrevista de apresentação a Portugal, através do Maisfutebol.

Veja Elinton em entrevista no Brasil


Veja Enilton em acção frente ao Saint-Etiènne

F.C. Porto: Hulk trabalha para jogar contra o Arsenal


Publicado a 4 de Fevereiro, capa do Jogo no dia 5

O F.C. Porto recebe o Arsenal a 17 de Fevereiro, na primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Duas semanas depois, os dragões jogam no Emirates Stadium, em Londres. Hulk espera ser um trunfo azul e branco neste duelo milionário.

O avançado brasileiro está suspenso preventivamente, aguardando a conclusão do processo sobre os incidentes no túnel do Estádio da Luz, após o clássico com o Benfica. O caso remonta a 20 de Dezembro de 2009 e Hulk iniciou o seu calvário logo depois. Contudo, mesmo sendo castigado em Portugal, o jogador deverá estar em condições de ajudar o F.C. Porto na Liga dos Campeões.

«Não é crível que um castigo desse género tenha influência a nível internacional», confirma o professor José Manuel Meirim, especialista em direito desportivo, em conversa com o Maisfutebol. Segundo os regulamentos da FIFA, apenas casos de manipulação de resultados, corrupção ou doping merecem uma amplitude internacional do castigo das instâncias nacionais.

Neste caso, embora os regulamentos permitam situações de excepção, não costuma haver repercussão fora da esfera do país. Aliás, foi com esse objectivo que Sapunaru rumou à Roménia por empréstimo, esperando competir apesar do eventual castigo em Portugal.

O F.C. Porto joga à defesa, espera contar com Hulk mas não quer lançar foguetes antes da festa, face aos sucessivos imprevistos ocorridos ao longo da presente temporada. Embora agindo como um gato escaldado, apostando na prevenção, os dragões esperam contar com o avançado e Jesualdo Ferreira pensa num joker com importância significativa no desfecho da eliminatória.

«Não terá influência a sua paragem competitiva»

Para além da réstia de incerteza em torno desta questão, surge outra. A 17 de Fevereiro, data do primeiro embate com o Arsenal, Hulk poderá surgir no Estádio do Dragão sem praticamente dois meses de competição. Apesar das suas características físicas únicas, tal realidade poderá prejudicar o seu rendimento?

Hernâni Gonçalves, antigo preparador-físico do F.C. Porto, pensa que não. «Os seus índicos físicos não estarão afectados porque num clube como o F.C. Porto os treinos têm a mesma carga que os jogos. Ele vem de uma paragem tóxica no campeonato, pelos seus contornos, mas não me parece que haja diferença», garante, ao Maisfutebol.

«Quando falo em paragem tóxica, falo da forma como ele foi castigado, falo de um castigo senil. Em termos físicos, penso que ele estará em boas condições, porque Jesualdo sabe o que está a fazer. Gostava de o ver a jogar, porque amarraria 1 ou 2 jogadores desse colosso chamado Arsenal», remata Hernâni Gonçalves, já na pele de adepto do F.C. Porto.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Conheça a equipa feminina que lidera uma Liga de rapazes

As meninas do Atlético de Madrid estão a deixar dezenas de rapazes a corar de vergonha. A equipa Alevín A, com jogadoras de 10 e 11 anos, lidera o campeonato da categoria em Espanha. Com um pormenor delicioso: as restantes formações são exclusivamente masculinas!

«Nunca na história do futebol feminino uma equipa chegou ao ponto mais alto num campeonato com equipas masculinas. É um grande orgulho e satisfação», reconhece o técnico David Fernández, de apenas 20 anos.

No Grupo 10 de Futebol de 7, na categoria Avelín, não há como elas. A outra equipa feminina é precisamente a formação B do Atlético de Madrid, colocada no 12º lugar entre 13 equipas. A equipa A lidera com 25 pontos em 9 jogos, 32 golos marcados, 6 golos sofridos e muitas piadas pelo meio.

As capitãs de equipa, Raquel Poza, Laura Bravo e Sandra Calvo relatam a sua experiência no terreno de jogo, frente a elementos do sexo oposto: «Em alguns jogos, chamam-nos de barbies e outro tipo de insultos, mas fazemos como se não ouvíssemos nada. É a primeira vez que estamos na frente da classificação e esperamos ficar muito tempo nessa posição.»

O jovem técnico da equipa, David Fernández, acrescenta pormenores. «Reparei que, sempre que uma equipa feminina vence uma masculina, os rapazes choram por terem perdido com raparigas, sentem-se impotentes. Digo sempre às minhas jogadoras para irem cumprimentar os adversárias, mas estes muitas vezes recusam fazer-lo», lamenta.

«O que mais prejudica o futebol feminino é a sociedade. Eu não vejo diferenças nas camadas jovens entre uma rapariga e um rapaz. Muitas raparigas jogam melhor que os rapazes e em alguns casos demonstram mais força e garra para vencer as partidas», remata David Fernández.

«É de louvar liderar numa Liga masculina»

Edite Fernandes é a nossa representante feminina no Atlético de Madrid, a par de outra internacional portuguesa, Sofia Vieira.

A jogadora de 29 anos tem acompanhado o sucesso das jovens do clube espanhol. «Já tinha conhecimento e por vezes vejo-as. Aliás, no início da época falou-se na possibilidade de eu treinar uma dessas equipas, mas depois não foi possível», começa por explicar, ao Maisfutebol.

«É de louvar uma equipa feminina que lidera uma Liga masculina. Sobretudo no mundo do futebol, que é tradicionalmente de homens. Sendo crianças, imagino que ainda custe mais a esses rapazes lidar com as derrotas», brinca Edite Fernandes.

O At. Madrid é uma referência no futebol feminino, em Espanha: «É um dos clubes mais importantes e tem equipas femininas em todos os escalões, desde os 6 anos até aos seniores, onde jogo eu e a Sofia.»

«O futebol feminino em Espanha não é nada comparado com Portugal. Ainda assim, há melhor na Europa, sobretudo nos países nórdicos. Eu sou profissional no At. Madrid, mas não me esqueço o tempo em que estive na China. Lá, treina-se duas vezes por dia, o campeonato é tremendo e os salários também», conclui Edite Fernandes.